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terça-feira, 15 de novembro de 2011

Entrevista com Délcio José Bernardo - O Movimento Negro

**Foto de Paulo Carrano
Délcio José Bernardo é natural de Mambucaba, 4º distrito de Angra dos Reis e servidor público do município. Formado em Comunicação Social pela Universidade de Barra Mansa; Pós-graduado em Raça, Etnia e Educação no Brasil pelo PENESB, UFF.

Esta entrevista foi realizada na UERJ - Maracanã, RJ. No dia 23 de setembro de 2011.
Dividimos a entrevista em três blocos: Família; Escola, Jongo e Movimento Negro.


*Todos esses blocos foram permeados pelo tema Racismo.






Elizabeth de Paula; Ester Pacheco; Gláucia L. D. Bispo; João Bastos; Sandra Costa; Vanessa Coutinho e Vilena Souza.


Trabalho do Grupo Memória/História (turma da noite)
Disciplina Relações Etnicorraciais na Escola
2011/2
Prof.: Paulo Carrano
Curso de Pedagogia -Niterói/UFF


Entrevistadora: “Como você abordava na escola as discussões sobre relações raciais? Como essas discussões eram recebidas pelos alunos negros e não-negros? Você chegou a falar nisso. Que quando pequeno você não tinha noção, mas no Ensino médio, por exemplo, você...”
Délcio: “Não. Essa discussão só começou a fazer parte da minha história mesmo, no último ano do Ensino Médio. Mais ou menos em 1988 ou 1989. Mais era uma voz solitária. Meio que ta bom, valeu, você falou e... em momento algum do Ensino Médio a gente discutiu isso e ai na faculdade mesmo. No curso de Jornalismo que eu fiz, foi um problema. A gente fazia discussão. Lembro de que uma ou duas discussões lá, e me lembro ate uma vez que uma moça muito bacana, muito gentil disse: ‘ah! Não, eu não sou racista e ba ba ba. Mas se eu tivesse o cabelo ruim igual ao seu, eu não...’ o problema que isso esta muito entranhado, ai eu questiono, mas por que ruim e então responde: ‘Não, não... que isso.’ ”

Entrevistadora: “Aí nega!”

Délcio: “É! Eu acho importante esse debate da cota, eu acho importante esse debate da lei. Não que a lei vá fazer você cumprir, mas a lei provoca a discussão. Quem ta na sala de aula, neste espaço tem sempre um grupo de alunos e alunas que eles sabem da existência da lei. Se você não estiver preparado para debater com ele, você vai dançar.
Ou você vai dizer: ‘Ah no Brasil não existe racismo.’ Não dá mais pra dizer isso. Não é tão simples assim. Agora tem uma discussão. Ninguém também vai fazer uma lei, se ela não for necessária.
Agora se você pegar essa história que estou falando para vocês e colocar isso em um espaço de discussão e colocar: ‘não estou dizendo que você é um racista, estou dizendo que nós temos reproduzido esse racismo e o quanto estamos sendo perversos no seio da escola’.
A pesquisa ta mostrando, a pesquisa ta mostrando o que a gente ta dizendo pra você. Desse grupo que começou comigo, só eu consegui me formar. Na faculdade em que eu estudava, nós éramos três na faculdade de Jornalismo. Um saiu, terminamos com dois. Numa turma, talvez de quarenta alunos.
A pesquisa que ainda está em andamento, já está me mostrando o resultado aqui na frente. A pesquisa vai mostrar que apenas 45% no Brasil são negros, se você pega o que estou te falando dessa pesquisa, o resultado dela já está aqui.
Essa reputação é ruim para a educação. Eu quero uma educação de qualidade. A estrutura tem que ser melhor? Tem. Mas a minha relação com o meu aluno, também tem que ser melhor. Não estou dizendo que a infra-estrutura não é importante, mas para mim, essa relação humana é fundamental.
Na escola, a sua grande maioria são trabalhadores, descendentes de negros. Essa nossa cumplicidade é necessária, e assim ter uma educação mais fraterna.
Se você não tem isso, não dá pra você resumir a coisa. Eu sou contra a isso, eu sou contra aquilo. Não se trata de ser contra. Trata-se de um debate e um diálogo que não dá pra fugir e nem simplificá-lo.”

Entrevistadora: “Agora, relacionado ao grupo Ylá-Dudu. O que significa?”

Délcio: Significa Grito Negro. É uma língua de Yorubá. Ylá significa grito e Dudu significa negro.

Entrevistadora: “Como é o seu trabalho no grupo?”
Délcio: “Esse grupo começou a ser pensado em 1988. Teve várias discussões. Enfim. Ele seria ligado a um partido, a igreja, se seria solto. Acabou ficando solto. Daí, a idéia da gente era a de provocar essa discussão em Angra dos Reis. O grupo não nasce descolado, mesmo porque as pessoas que constituíram esse grupo eram pessoas que estavam envolvidas com movimentos sociais, movimentos culturais e políticos na cidade. Aí teve um período muito forte de movimentos sociais de várias associações. E aí isso culminou um pouco com o governo do PT que logo começou em 88 e 89, não me lembro bem. E também essa era a dinâmica dos movimentos negros no Brasil. Daí, muitos grupos surgem nesse período, na década de 80. A idéia era isso. Nós não tínhamos essa discussão em Angra. A gente provocou isso. Rodamos as escolas e fomos criando e inventando um monte de coisas. Criamos alguns esquetes de teatro; questionamos a coisa de maio; falamos dos 20 de novembro e aí veio essa coisa do Jongo. Toda a atividade tinha o Jongo. Toda a atividade que tinha capoeira nós provocávamos os meninos sobre a importância da capoeira. A gente criou uma banda de samba-reggae dentro do grupo. Nós tínhamos um bom diálogo com toda a garotada. Hoje, está todo mundo lá. Uns são músicos. Outros são outras coisas. Eles nunca esquecem daqueles momentos , pois foi muito importante na vida deles de construção da identidade. Assim, isso é muito legal. Alguns ainda continuam com a gente. Ai sim, a gente rodou todas as escolas do município, fazendo esse debate, provocando essa discussão. Tanto que uma das secretárias de educação lá do município falou que se Angra hoje tem uma discussão sobre as questões das relações raciais é graças ao movimento negro e, para além disso, ele coloca que a forma como nós fazemos esse debate com o poder público foi legal, pois isso é uma relação muito difícil: movimentos sociais e poder público. Hoje, eu trabalho na Secretaria de Educação, e só trabalho lá por conta de minha ação no movimento negro. E isso tem uma importância muito grande porque a gente estabeleceu uma relação que é profissional, de parceria. Uma relação de fraternidade. A gente não ficou somente na questão do racismo. A gente compreendeu qual era a dinâmica do racismo em Angra e discutimos isso com os professores. Têm muitos professores da rede hoje (agora fez 20 anos, dia 9 de março de 2011), de Iladudu e nós comemoramos agora os 20 anos. E lá foram vários professores. Lá promovemos vários debates. Convidamos a Jurema Batista, que fez parte da mesa. Aí os professores colocaram isso, da importância do movimento negro em Angra dos Reis. Até então eles não tinham esse debate. Eles começaram a fazer esse tipo de debate a partir do surgimento do movimento negro e eles lembraram: eu lembro do Délcio com o tamborzinho. Isso é uma coisa bacana. Você conseguir vencer essas etapas sem que você crie tanto essa coisa de ódio, porque os movimentos negros parecem ser essa coisa de revolta. Às vezes você precisa fazer um apanhado da história do negro. Quando a gente começa a falar da minha história no movimento, a gente poderia até falar de outra pessoa do movimento negro. Assim, eu não posso deixar de falar isso. Eu não sou uma pessoa revoltada. Imagina. Não é isso. A gente entendeu que todos nós fizemos a sociedade na qual nascemos. Então, é tarefa nossa fazer dessa luta uma luta bacana, e o legal da questão racial é que você pode fazer a discussão com música, com poesia, dançando ou cantando. Eu lembro que teve uma época em Angra na qual a galera falava que o movimento negro só queria saber de tocar e dançar. Não existia ação política nos movimentos negros. Realmente isso foi mencionado. Daí, passamos a discutir o que é ação política para você? A gente fez atos públicos. A gente apresentava propostas. Nós cantamos e dançamos e fizemos tudo isso também. Pode não ser a melhor forma. A gente pode ter errado e erramos mesmo numa série de coisas ou de caminha. Mas, a gente fez coisas e se colocou assim. A gente se colocou para o debate público e não se colocando como detentores ou donos da verdadeira história, mas sim como pessoas capazes de também construírem a história do município e de trazer a tona a história daqueles que construíram aquele município. A nossa provocação era essa: de trazer essa discussão a curso. Provar quem está certo ou errado, não era isso. Era mais forte que isso. Nosso papel na história, por que fundamos o movimento negro de conscientização no município? Eu tenho carta guardada até hoje de uma pessoa que usou pseudônimo para escrever para um jornal local. Creio que ela tenha usado pseudônimo, pois ela falava dizendo, fazendo uma análise que têm pessoas frustradas, que não tem sucesso na vida e por isso queria dividir o município de Angra em pretos e brancos. Foi quando saiu pela primeira vez que saiu essa carta nos jornais que discutimos isso em nossa primeira reunião do movimento. A gente recortou, discutiu e guardou essa carta. Até hoje não se sabe de quem é a carta. Outra coisa. A gente sempre ia às rádios, pois os caras nos chamavam e sempre ouvíamos sobre essa carta. Trabalhando com esse entendimento de porque as pessoas estavam falando isso. A gente não estava dizendo isso, não porque exista maldade quanto à gente. Mas porque você não está se permitindo pensar diferente. E a gente precisa fazer isso: a gente precisa pensar diferente. Elas estavam reproduzindo um preconceito, né. Eu me lembro de uma senhora que era historiadora lá em Angra e ela falou disso.”

Entrevista com Délcio José Bernardo - Escola

** Foto: Paulo Carrano

Délcio José Bernardo é natural de Mambucaba, 4º distrito de Angra dos Reis e servidor público do município. Formado em Comunicação Social pela Universidade de Barra Mansa; Pós-graduado em Raça, Etnia e Educação no Brasil pelo PENESB, UFF.

Esta entrevista foi realizada na UERJ - Maracanã, RJ. No dia 23 de setembro de 2011.

Dividimos a entrevista em três blocos: Família; Escola, Jongo e Movimento Negro.

*Todos esses blocos foram permeados pelo tema Racismo.


Elizabeth de Paula; Ester Pacheco; Gláucia L. D. Bispo; João Bastos; Sandra Costa; Vanessa Coutinho e Vilena Souza.


Trabalho do Grupo Memória/História (turma da noite)
Disciplina Relações Etnicorraciais na Escola
2011/2
Prof.: Paulo Carrano
Curso de Pedagogia -Niterói/UFF



Tema: Escola


Entrevistadora: “A necessidade de ver nosso rosto nos espaços onde não estávamos habituados. O que te fez perceber isso? Teve alguma experiência marcante, que te atentou a esse fato?”
Délcio: “Tem a escola. A escola é uma experiência marcante para gente, né?... eu não generalizando. A minha fala é a fala do grupo que eu vivo. Mesmo a gente convivendo com o racismo na própria família da gente. A sociedade reproduz o racismo, não dá para você pensar que a sua família não reproduzirá. Lógico, tem famílias que não. A minha vivencia não. O racismo era reproduzido na minha família. Mesmo assim, ainda existe uma relação de igual, o comportamento era igual nessa família, entre os irmãos... Somos iguais. Quando você vai para a escola você encara o diferente. E a escola para nós era uma promessa de melhoria de vida. Minha mãe dizia muito isso: “vai para a escola, pois na escola você vai ser alguém”. Meus pais eram analfabetos. Não dominavam nem a leitura nem a escrita. Então era isso, depositar nos filhos uma expectativa de ter uma vida diferente. E essa vida diferente, é diferente em relação à cidade. Uma coisa é a vida da gente na roça. É onde você produz seu alimento, você é dono da sua mão-de-obra. Por mais que seja uma vida sofredora, porque a gente sabe como é tratado nesse país, mas ainda assim você tem como produzir. Na cidade é diferente. Na cidade, você sustentar uma família de 12 irmãos, pai e mãe, sobreviver, que emprego que tem? Enfim... isso gera uma coisa... é... você fica privado até da sua alimentação. E aí, isso gera nos pais um desespero, e acabam por pensar que a escola é o caminho. Ai quando você chega na escola, você começa a ver a configuração ou talvez a sistematização da questão racial. É a professora que ignora você em sala de aula. Se você falta ou se não falta... a relação da professora com alunos e alunas brancas em relação aos alunos negros. Isso é um choque. Não que eu entendesse que aquele momento ali era uma prática racista. Eu não tinha entendimento, mas você percebe ali a forma como as pessoas te tratam. Você sabe que é diferente, só não sabe o porquê. Essa experiência da escola é uma experiência muito marcante. Hoje, por que a maioria das meninas e meninos negros saem da escola? Não é só porque eles não têm grana. Hoje a gente vai percebendo isso. Em um espaço que você vai para “ser alguém”, você é tratado como ninguém. É uma questão de superação. Hoje quando eu vejo uma mulher ou um homem negro que se formou... Isso é um exemplo de superação.
Quando você ta na rua com o colega, você também entende aquele espaço como de brincadeira... Mas quando você está na escola, ali é o espaço para se transformar. A insistência da minha mãe de “ser alguém” que permitiu a permanência na escola.
Mas a escola não é uma experiência somente ruim. Hoje eu lembro que dentro deste real de coisas, uma das merendeiras da escola, era uma figura super acolhedora. Parecia que ela entendia que a gente tinha saído de casa sem tomar café. Ela levava a gente para o refeitório e dava um café reforçado. A escola foi uma experiência ruim, mas não só ruim.”

Entrevistadora: “Esse tratamento se dava de forma explícita ou implícita?”


Délcio: “O racismo tem várias dinâmicas, o professor Carlos Reis fala isso. Mesmo quando as pessoas estavam meio que te elogiando, elas elogiam a partir de um ato racista. De uma reprodução, de uma forma racista porque tinha hora que isso era muito claro, isso era muito aberto mesmo. E a gente pensava: ‘ah é porque a gente é pobre, mora no morro, porque vem com um sapato sujo de lama’. Deveria ser isso, mas nunca passou pela nossa cabeça a questão racial. A professora na hora de ir embora beijava todo mundo, e você passa despercebido. Os colegas chamavam a gente de macaco, cabelo de bombril e mais uma centena de coisas que a gente conhece. Eu pensava: ‘ah é porque não tenho dinheiro’, mas te chamar de macaco não é porque você não tem dinheiro. A gente percebia que alguns professores não tinham interferência, pelo contrário, alguns até riam. E essa também é uma dinâmica que o racismo faz. Às vezes a pessoa não concorda, mas não sabe como atuar. Então, às vezes, é mais fácil até rir também.”

Entrevistadora: “Ou às vezes ela pensa assim também.”

Délcio: “Ou às vezes ela pensa assim também. Porque ainda hoje a gente percebe. A gente avançou pra caramba, mas essas brincadeiras ainda estão presentes na vida da gente. Existe essa conivência. Mesmo você não percebendo... E se alguém chama a sua atenção, você discorda. Você ‘não, imagina. ser racista aqui no Brasil?’ Essa manifestação se dá em vários níveis. No nível de ser aberto. Mesmo sendo aberto, a gente não saber naquele momento que era. E o racismo de alguma forma velada mesmo. De ter vergonha na sala de aula de perguntar as coisas. Se entendeu, bem. Se não, deixa pra lá. E aí você vai embora assim. E o olhar que hoje eu identifico é a expectativa. Que expectativa as pessoas tinham da gente, quanto a alunos e alunas negros? É muito difícil você ver negros que ascenderam profissionalmente. Você vê nas ruas, atrás do balcão, enfim. Então, a expectativa do professor talvez seja: ‘ah, ele está estudando mas vai terminar como servente de pedreiro, carregador de caixa’, meio que tendo uma linha definida. Então, não dá pra você criar muita expectativa com esse grupo. Então, você tem que, dentro da escola, tentar... uma criança de seis, sete anos não vai pensar isso”

Entrevistadora: “O papel da família é importante. Sua mãe te incentivou. Porque se não fosse isso talvez você estivesse hoje vendendo bala.”

Délcio: “Eu fui pra escola com nove anos de idade e do grupo que entrou comigo, a maioria morreu devido à violência. Nenhum conseguiu se formar. Só eu. Eu tenho contato com esses que ficaram vivos (risos).”

Entrevistadora: “É a prova que o incentivo da família faz diferença.”


Délcio: “Faz (demonstra incerteza). Eu estou entendendo o que vocês estão falando, mas eu tenho medo de atrelarem o sucesso ao esforço. E que aqueles que não conseguiram se formar foi porque não se esforçaram. Minha família é formada por doze irmãos e só eu consegui me formar. Meus irmãos, primos, devem ser umas 60 pessoas. Dessas 60, a maioria chegou só até a 4ª série. Meu irmão, por exemplo, não o mais velho, mas mais velho que eu, deixou de estudar pra me dar uma força pra eu estudar. Então não foi porque ele não se esforçou. Depende de como as vidas das pessoas estão estruturadas. Então, às vezes, era mais fácil investir... Botar o pouco que tinha, e esse pouco era pouco mesmo (risos)... E aí quando a gente entra na escola a expectativa que a gente tem, que nossos pais colocam na gente, essa de que a escola vai nos fazer alguém, bota na nossa mente que a gente não é ninguém. Às vezes eu matava aula para pescar porque era muito mais bacana de se fazer. Era uma água clarinha com peixinhos e a mãe puxava a orelha.
Quando eu falo dessa merendeira e uma das diretoras que passaram por lá, a gente pensava ‘ah, tem alguém que vai dar uma segurada lá. ’ Na escola, se um aluno branco caísse no chão, era uma coisa. Quando era a gente que caía, ‘ah, tá acostumado, já’ ”

Entrevistadora: “O problema da história é esse. Não deveria ter esse tratamento diferenciado.”


Délcio: “Mas assim, a dinâmica é essa... Eu trabalho na Secretaria de Educação e o meu esforço em estar na educação... Eu era muito ligado com o movimento cultura. Já cheguei a ser diretor de cultura em Angra e percebi isso que a escola é um espaço muito bacana de se atuar. E essas experiências nos ajudam a refletir com os professores porque às vezes você vai repetir as histórias. Porque eu não acredito que essas pessoas da escola que estudei fossem maldosas ou fizessem isso para maltratar a gente, mas ela faz como uma reprodução. Então, é legal fazer esse debate, não com rancor, mas fazer esse debate porque estamos construindo vidas, crianças vão passar por você. E não ser só um aluno esforçado, mas ser um aluno que tenha esse apoio. Eu acredito que o ser humano é por si só um ser inteligente. E essa inteligência pode ser direcionada para vários caminhos... A riqueza da escola pública é fantástica e às vezes a gente tem pessoas que reproduzem esses racismos. A gente estava observando que em Angra, na rede municipal, são 24.800. E o censo feito com 12.400 alunos aponta que 50% desses 12.400 se declaram negro e 50% se declara branco. E quando chega no 5º ano o número de negros cai muito. E quando chega no 9º ano, tem 30% de negros e 70% de brancos. Então, as crianças estão saindo da escola. ‘Ah, mas isso é questão social mesmo’ mas a criança vai trabalhar? ‘é, a criança vai trabalhar’ mas é só crianças negras que trabalham? ‘ah, mas nessa fase do 9º ano os meninos começam a namorar’ mas só as meninas e os meninos negros? Aí tem essa defesa de que é uma questão social. Mas eu discuto que não é uma questão só social e coloco um pouco dessa minha experiência como aluno negro, esses absurdos, a coisa do cabelo, a valorização. E aí você vê o seu rosto, mas como positivo. E não somente como escravo, acorrentado, como um cara sujo, como um cara da rua, mas você vê o seu rosto dentro do contexto da família convencional, um rosto alegre. Não dá pra você ver seu rosto só em propaganda de lixão, de miséria. Isso cria um funil na expectativa da gente e na expectativa de quem tá ensinando, entre aspas, a gente. É simples. È só colocar a foto de uma criança negra feliz. A gente também tem felicidade. Mas não feliz porque ganhou um passe de ônibus, não feliz porque ganhou um bolsa-família, não porque ganhou um uniforme, mas feliz porque ele é bem na escola, porque é inteligente. E aí, vai se adequando à nossa imagem de felicidade relacionada às políticas de assistencialismo. Tipo assim, alguns vão sozinhos, outros precisam de ajuda, os que vão sozinhos são os meninos e os meninas brancas e quem precisa de ajuda são os negros.Você vê que é uma repetição de fato. Lei áurea, princesa Isabel . Então você vai ter sempre alguém indo segurando na sua mão, porque senão você não vai. Essa imagem não é verdadeira é uma reprodução de fatos e vai convencendo de que é verdadeiro.
E como uma criança de 6 ou 7 anos rompe com essa lógica? Normalmente você ouve as pessoas dizerem: ‘Eu comecei a ter entendimento de ser negro com 17 anos quando fui para o movimento negro’, o que é o meu caso. E no grupo do movimento negro que eu participo em Angra, por exemplo, a maioria das pessoas que se encaixava no grupo que tinha uma época era muito grande um grupo de quase trinta pessoas as falas eram as mesmas que estou falando pra você aqui, e pessoas de diferentes estados, gente de Minas... A história de abandono pela família era muito grande tinha 10 pessoas que a família abandonou que passou por FEBÉM. Essas histórias vão permeando a vida da gente imagine passar pela FEBEM. Como se recupera? A gente conhece a estrutura desses espaços. As histórias são histórias de superação, vai se superando, superando... Agora tentar entender como se supera acho que vai muito do momento, das famílias, a questão de amigos, você acaba se envolvendo com pessoas que te ajudam a fortalecer é uma construção mesmo. São vários diálogos que você vai fazendo ao longo da sua vida pra você de fato chegar no momento de conseguir entender toda essa dinâmica que o racismo coloca pra gente.”

Entrevistadora: “No texto você coloca a questão do dia 13 de maio, seu rosto era mais percebido, não só você também os outros eram evidenciados por conta da abolição. Eu queria te perguntar: existia alguma atividade específica naquele dia como existe o dia do Folclore que você cita no texto?”

Délcio: “Existia. Naquela época a professora falava da princesa Isabel, mandava fazer pesquisa sobre o dia 13 de maio, aí vinham aquelas sacanagens: ‘vai ser meu escravo’!
Há um tempo eu estava lendo, pesquisando nos materiais de Angra que tinha um período que eu não me lembro agora que a prefeitura de Angra fazia no dia 13 de maio uma tal de Festa da raça, eu não consegui achar muitos detalhes dessa festa, mas era uma festa que tinha músicas. O pessoal do jongo, que naquela época era minha família, fazia jongo. Os trabalhadores da resistência faziam atividade que era o cabo de guerra que era a maioria dos trabalhadores dos cabos arrumados hoje que na época a grande maioria eram homens negros que carregavam sacas de café, carregavam aquele ferro grosso e pesado, eram homens super fortes. Tinham três senhores que eu morei perto da casa deles que o povo contava que ficavam os três de um lado e juntava todos os outros homens do outro e os três conseguiam vencer. Eram homens fortes: seu Fagundes, seu Américo, então essas figuras assim. E essa Festa da Raça era um pouco isso e era a prefeitura que promovia. Eu não achei maiores detalhes dela, até vou pesquisar mais. Mas isso no 13 de maio e na escola era isso, fazer trabalho, fazer pesquisa, ir para a biblioteca pesquisar sobre o 13 de maio aquelas tinham aquelas coisas de fotos. Sempre aquela história o negro lutou, lutou e no treze de maio a princesa Isabel e libertou os escravos, a história termina aí, aí acaba tudo. De 13 para 14 todo mundo vira cidadão. Embora o 13 de maio tenha a sua importância, pelo fato legal, pela luta que os escravizados tiveram para que chegasse o 13 de maio que não é uma coisa gratuita mas é construído a base de muita luta. Mas não era essa a visão desses 13 de maio, a visão era de a gente ter sido libertado pela princesa Isabel no dia 13 de maio. Então, devemos isso eternamente à princesa?”

Entrevista Com Délcio José Bernardo - Família

Délcio José Bernardo é natural de Mambucaba, 4º distrito de Angra dos Reis e servidor público do município. Formado em Comunicação Social pela Universidade de Barra Mansa; Pós-graduado em Raça, Etnia e Educação no Brasil pelo PENESB, UFF.

Esta entrevista foi realizada na UERJ - Maracanã, RJ. No dia 23 de setembro de 2011.



Dividimos a entrevista em três blocos: Família; Escola, Jongo e Movimento Negro.





*Todos esses blocos foram permeados pelo tema Racismo.

** Foto: Paulo Carrano
Elizabeth de Paula; Ester Pacheco; Gláucia L. D. Bispo; João Bastos; Sandra Costa; Vanessa Coutinho e Vilena Souza.

Trabalho do Grupo Memória/História (turma da noite)
Disciplina Relações Etnicorraciais na Escola
2011/2
Prof.: Paulo Carrano
Curso de Pedagogia -Niterói/UFF


Tema: Família


Entrevistadora: “De acordo com o texto lido, você coloca que em um dado momento várias pessoas, inclusive sua família foram expulsas dos bairros de Mambucaba, Frade e Bracuhy, sendo obrigadas a viverem em áreas urbanas. Quando isso aconteceu e por quê?”

Délcio: “Isso aconteceu na década de 1960. O motivo era: o município era uma área de segurança nacional e foi escolhido para se situar no município, alguns empreendimentos. O estaleiro Verolme, que nesta época já estava em funcionamento; as três Usinas nucleares e a estrada Rio – Santos, que na verdade abria o município para os demais. O município tinha o contato até com o Rio, São Paulo, porém a estrada era muito precária. Então assim... era uma coisa muito do interior mesmo. E essa ligação com o restante do Estado era muito mais difícil. E ai a Rio – Santos ela abre essa possibilidade. Na época, tinha um slogan que era “o paraíso ao alcance de todos”, aí a Rio-Santos permite oi empreendimento do progresso e coloca uma aspa nesse progresso. Para quem é este progresso? Essa chegada do progresso foi incompatível com um determinado grupo. E eu fazia parte desse grupo. A minha família mesmo saiu pai mãe, irmãos. O meu núcleo familiar saiu em 1965. Tios e tias saíram antes.”

Entrevistadora: “Vocês passaram a morar?”
Délcio: “No morro do Carmo, que é um morro próximo do Centro. Na verdade o município cresceu muito nesse período. Era um município com poucas pessoas. A população triplicou. Não me recordo, agora, a quantidade de pessoas, mas existe a documentação referente a isso. Então, os morros do centro então, começaram a abarrotar essas pessoas. Carmo, Ilha Grande... Minha família foi então para o morro do Carmo. Eles tinham um loteamento, que era de um senhor e o pessoal pagava, né? Pro seu Antonio, à prestações. É uma área ainda sem titulo de terra, é uma área de posse ainda hoje.”

sábado, 5 de novembro de 2011

Prosa e Verso

Hoje no jornal O Globo, em seu caderno Prosa e Verso. Foi publicada uma matéria muito interessante sobre a Tradição Negra na literatura e a influência afro-brasileira na literatura brasileira.
Tal matéria faz parte de um estudo de um grupo de pesquisa da UFMG chamado " Afrodescendência na Literatura Brasileira", achei o nome do grupo bem criativo e me aguçou a curiosidade sobre o trabalho do mesmo.
Além desta matéria o jornal,dentro do mesmo caderno , traz uma parte "especial" sobre a militância política de Cruz e Souza.
Acho que podemos debater tal texto em sala! Pois está atual além de se referir ao cotidiano!
Fiquei muito contei ao ver esse movimento do jornal e essa grande importância de divulgarmos as nossas verdadeiras raízes assim desmitificando algumas histórias além de dar o valor e o respeito necessário a tais contribuidores da formação de nossa cultura!

terça-feira, 1 de novembro de 2011

APARTHEID E NELSON MANDELA




= PEQUENA CRONOLOGIA POLÍTICA DA ÁFRICA DO SUL =


1948 – O governo da África do Sul deu início à política do apartheid;

1952 – Nelson Mandela abre a primeira rma negra sul-africana;

1956 – Nelson Mandela é acusado de alta traição e absolvido;

1959 – O parlamento aprova leis que aumentam a segregação racial;

1960 – Durante um protesto negro contra o apartheid a polícia mata 69 pessoas;

1962 – Nelson Mandela é preso e sentenciado à prisão perpétua;

1972 – A África do Sul é impedida de participar dos Jogos Olímpicos em função da política do apartheid;

1974 – O país é expulso das Nações Unidas em função da política do apartheid;

1976 – Mais de 600 estudantes são mortos em Soweto e Sharpeville;

1990 – Nelson Mandela é solto da prisão;

1991 – Nelson Mandela torna-se presidente do Congresso Nacional sul-africano;

1991 – O Comitê Olímpico Internacional permite a participação da África do Sul nos Jogos Olímpicos depois de um banimento de 21 anos;

1994 – Nelson Mandela torna-se presidente da África do Sul;

A palavra apartheid signica separação, em africâner, uma variação sul africana do holandês. O objetivo dessa política era separar profundamente as raças que habitavam a África do Sul nos aspectos político, social, econômico e até mesmo geográco. As leis raciais procuravam controlar todos os aspectos da vida das pessoas negando aos negros direitos políticos básicos e proibindo, por exemplo, o casamento entre brancos e não-brancos (negros, mestiços e asiáticos), determinando empregos, escolas, banheiros e até mesmo escadas só para brancos. No regime do apartheid o governo era controlado pelos brancos de origem européia (holandeses e ingleses), que criavam leis e governavam apenas para os interesses dos brancos. Aos negros eram impostas várias leis, regras e sistemas de controles sociais. Os brancos controlavam o poder, enquanto o restante da população não gozava de vários direitos políticos, econômicos e sociais.

Em 1950, o governo sul-africano implantou o Population Registration Act, através do qual a população deveria ser racialmente classicada em quatro categorias: branco, negro, mestiço e asiático (em sua maioria, imigrantes indianos e paquistaneses que viviam na região). Essa classicação baseava-se na aparência, aceitação social e na descendência. Por exemplo, uma pessoa que possuísse parentes “não-brancos” não poderia ser considerada branca, apesar de sua aparência.

A despeito da violenta repressão policial a toda manifestação contra a política implantada, na década de 1960 eclodiram diversos protestos por todo o país. Dentre estes protestos, podemos destacar um nas regiões de Soweto e Sharpeville, quando 10.000 negros queimaram seus passes nas ruas sendo combatidos pelo exército. A partir dessa década, as nações européias impuseram embargos e sanções à África do Sul em virtude do apartheid, como o banimento da Comunidade Britânica (1960) e dos Jogos Olímpicos (1972), embargo de armas e material militar (1977) e sanções econômicas impostas pelo Conselho de Segurança da ONU (1985). A atenção das nações ocidentais à situação política e social na África do Sul deveu-se, em grande medida, à atuação de Winnie Mandela, esposa de Nelson Mandela, e do bispo Desmond Tutu, que granjearam apoio em meio às esferas internacionais.

Apesar do m do apartheid e da ascensão à presidência de Nelson Mandela, em 1994, a política de segregação deixou marcas profundas na África do Sul. Embora profundas mudanças sociopolíticas tenham sido promovidas nos últimos anos, as heranças da descriminação racial institucionalizada ainda podem ser sentidas, particularmente no que se refere ao baixo nível de escolaridade entre os negros e os diversos conitos sociais ainda em curso.

Entre as principais leis do apartheid, podemos citar:

- Proibição de casamentos entre brancos e negros – 1949;

- Obrigação de declaração de registro de cor para todos sul-afriacanos (branco, negro ou mestiço) – 1950;

- Proibição de circulação de negros em determinadas áreas das cidades – 1950;

- Determinação e criação dos bantustões (bairros só para negros) – 1951;

- Proibição de negros no uso de determinadas instalações públicas (bebedouros, banheiros públicos) – 1953;

- Criação de um sistema diferenciado de educação para as crianças dos bantustões – 1953;



Nelson Mandela: líder sul-africano que lutou contra o apartheid

Ainda estudante de Direito, Mandela começou sua luta contra o regime do apartheid. No ano de 1942, entrou efetivamente para a oposição, ingressando no Congresso Nacional Africano (movimento contra o apartheid). Em 1944, participou da fundação, junto com Oliver Tambo e Walter Sisulu, da Liga Jovem do CNA.

Durante toda a década de 1950, Nelson Mandela foi um dos principais membros do movimento anti-apartheid. Participou da divulgação da “Carta da Liberdade”, em 1955, documento pelo qual defendiam um programa para o fim do regime segregacionista.

Mandela sempre defendeu a luta pacífica contra o apartheid. Porém, sua opinião mudou em 21 de marco de 1960. Neste dia, policiais sul-africanos atiraram contra manifestante negros, matando 69 pessoas. Este dia, conhecido como “O Massacre de Sharpeville”, fez com que Mandela passasse a defender a luta armada contra o sistema.

Em 1961, Mandela tornou-se comandante do braço armado do CNA, conhecido como "Lança da Nação". Passou a buscar ajuda financeira internacional para financiar a luta. Porém, em 1962, foi preso e condenado a cinco anos de prisão, por incentivo a greves e viagem ao exterior sem autorização. Em 1964, Mandela foi julgado novamente e condenado a prisão perpétua por planejar ações armadas.

Mandela permaneceu preso de 1964 a 1990. Neste 26 anos, tornou-se o símbolo da luta anti-apartheid na África do Sul. Mesmo na prisão, conseguiu enviar cartas para organizar e incentivar a luta pelo fim da segregação racial no país. Neste período de prisão, recebeu apoio de vários segmentos sociais e governos do mundo todo.

Com o aumento das pressões internacionais, o então presidente da África do Sul, Frederik de Klerk solicitou, em 11 de fevereiro de 1990, a libertação de Nelson Mandela e a retirada da ilegalidade do CNA (Congresso Nacional Africano). Em 1993, Nelson Mandela e o presidente Frederik de Klerk dividiram o Prêmio Nobel da Paz, pelos esforços em acabar com a segregação racial na África do Sul.

Em 1994, Mandela tornou-se o primeiro presidente negro da África do Sul. Governou o país até 1999, sendo responsável pelo fim do regime segregacionista no país e também pela reconciliação de grupos internos.

Com o fim do mandato de presidente, Mandela afastou-se da política dedicando-se a causas de várias organizações sociais em prol dos direito humanos. Já recebeu diversas homenagens e congratulações internacionais pelo reconhecimento de sua vida de luta pelos direitos sociais.

A questão da discriminação racial na África do Sul é um importante fator social em sua história, tanto no período sob o domínio inglês, sob o domínio holandês ou após a sua independência. Entretanto, em 1948, a discriminação foi institucionalizada com a aprovação das leis do apartheid. Nessa data, o Partido Nacional da África do Sul ganhou as eleições e tornou parte de seu governo uma política de segregação racial chamada de eerbaare apartheid (segregação honorável).


= CURIOSIDADES =


*Algumas frases de Nelson Mandela:

- "Sonho com o dia em que todas as pessoas levantar-se-ão e compreenderão que foram feitos para viverem como irmãos."

- "Uma boa cabeça e um bom coração formam uma formidável combinação."

- "Não há caminho fácil para a Liberdade."

- "A queda da opressão foi sancionada pela humanidade, e é a maior aspiração de cada homem livre."

- "A luta é a minha vida. Continuarei a lutar pela liberdade até o fim de meus dias."

- "A educação é a arma mais forte que você pode usar para mudar o mundo."

- “Sinto-me como um jovem de 50 anos.”

- “Ninguém nasce odiando outra pessoa pela cor de sua pele, por sua origem ou ainda por sua religião. Para odiar, as pessoas precisam aprender e, se podem aprender a odiar, podem ser ensinadas a amar.”

- “Ainda há gente que não sabe, quando se levanta, de onde virá a próxima refeição e há crianças com fome que choram.”

- “Eu faço tudo isso em nome dos princípios morais, segundo os quais nao podemos abandonar aqueles que nos ajudaram nos momentos mais sombrios da historia do nosso país.”


* Dia Internacional de Nelson Mandela

- A partir de 2010, será celebrado em 18 de julho de cada ano o Dia Internacional de Nelson Mandela. A data foi definida pela Assembléia Geral da ONU e corresponde ao dia de seu nascimento.


* Livros (obras principais):

- Nelson Mandela - A Luta da Minha vida (1989) - autobiografia

- Conversas que tive comigo (2010)

- Vencer é Possível (1998)


* Bibliografia indicada:

- Nelson Mandela - uma lição de vida
Autor: Lang, Jack
Editora: Mundo Editorial
Temas: Biografia, Política

- Mandela - Retrato Autorizado
Autor: Kathrada, Ahmed
Editora: Ales Trade Comércio
Temas: Biografia, Fotografia

- Os caminhos de Mandela
Autor: Stengel, Richard
Editora: Globo
Temas: Biografia, Política


Mandela preso por lutar contra o apartheid
Mandela quando estava preso por lutar contra o apartheid na África do Sul


* Dois primeiros artigos da Declaração dos Direitos Humanos, a saber:

Artigo I - Todos os homens nascem livres e iguais em dignidade e direitos. São dotados de razão e consciência e devem agir em relação uns aos outros com espírito de fraternidade.

Artigo II - Todo homem tem capacidade para gozar os direitos e as liberdades estabelecidos nesta Declaração, sem distinção de qualquer espécie, seja de raça, cor, sexo, língua, religião, opinião política ou de outra natureza, origem nacional ou social, riqueza, nascimento, ou qualquer outra condição.

A Declaração Universal dos Direitos Humanos foi aprovada com unanimidade pela Assembléia Geral das Nações Unidas, em dezembro de 1948. É o mesmo ano em que o Partido Nacional da África do Sul ganhou as eleições (nas quais só aos brancos era permitido votar) e implementou a política do apartheid era praticada na África do Sul.


ORAÇÃO PELA LIBERTAÇÃO DA ÁFRICADO SUL - 1985

Composição: Gilberto Gil

Se o rei Zulu já não pode andar nu

Se o rei Zulu já não pode andar nu

Salve a batina do bispo Tutu

Salve a batina do bispo Tutu

Ó, Deus do céu da África do Sul

Do céu azul da África do Sul

Tornai vermelho todo sangue azul

Tornai vermelho todo sangue azul

Já que vermelho tem sido todo sangue derramado

Todo corpo, todo irmão chicoteado - iô

Senhor da selva africana, irmã da selva americana

Nossa selva brasileira de Tupã

Senhor, irmão de Tupã, fazei

Com que o chicote seja por fim pendurado

Revogai da intolerância a lei

Devolvei o chão a quem no chão foi criado

Ó, Cristo Rei, branco de Oxalufã

Ó, Cristo Rei, branco de Oxalufã

Zelai por nossa negra flor pagã

Zelai por nossa negra flor pagã

Sabei que o papa já pediu perdão

Sabei que o papa já pediu perdão

Varrei do mapa toda escravidão

Varrei do mapa toda escravidão

(http://www.youtube.com/watch?v=-q0FARtROo0&feature=related)


A música “Oração pela libertação da África do Sul” pode ser utilizada para exemplificar os conceitos acima mencionados, como o tratamento que os brancos reservavam aos negros (“Todo corpo, todo irmão chicoteado”) e a importância do arcebispo Desmond Tutu, que recebeu o Prêmio Nobel da Paz (“Salve a batina do bispo Tutu”). Outro personagem importante é o ex-presidente da África do Sul, Nelson Mandela.


* VÍDEOS INTERESSANTES:



http://www.youtube.com/watch?v=-q0FARtROo0&feature=related


= ENTREVISTAS=

(Entrevista 1)

Nome: Clemilda.

Idade: 28 anos.

Residência: Mora em Botafogo, mas não especificou o local.

Trabalho: Trabalha em um quiosque na rua Nelson Mandela há 6 anos.

Quem é Nelson Mandela? Não sei. Sei que na África tem esse nome Nelson Mandela, mas não sei se tem relação.

Porque a rua tem o nome dele? Não sei dizer.


(Entrevista 2)

Nome: Regina.

Idade: 60 anos.

Residência: Rua São Clemente – Botafogo.

Trabalho: Aposentada.

Quem é Nelson Mandela? Pessoa muito importante para os Estados Unidos e para o reconhecimento do negro enquanto cidadão normal. Sei que ficou preso, e que depois que saiu continou a ajudar os negros.

Porque a rua tem o nome dele? É uma forma de homenagem, que é muito boa para nós contarmos para os nossos netos, para que eles possam de alguma forma conhecê-los.


=FOTOS=



R E F E R Ê N C I A S B I B L I O G R Á F I C A S:

- ANDERSON, Perry. Portugal e o fi m do ultracolonialismo. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1966.

- BRUNSCHHWIG, Henri. A partilha da África negra. São Paulo. Perspectiva, 1974.

- CÔRTES, Norma et alii. História. Reorientação curricular (versão preliminar). Secretaria de Estado de Educação do Estado do Rio de Janeiro. 2004.

- DECLARAÇÃO Universal dos Direitos Humanos. http://www.onu-brasil.org.br. Acesso em 30 de novembro de 2005.

- HOBSBAWM, Eric. A era dos impérios - 1875-1914. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2002.

- MAGNOLI, Demetrio. África do Sul - capitalismo e apartheid. São Paulo: Contexto, 1992.

- MESGRAVIS, Laima. A colonização da África e da Ásia: a expansão do imperialismo europeu no século XIX. São Paulo: Atual, 1994.

- PEREIRA, Francisco José. Apartheid. O horror branco na África do Sul. São Paulo: Brasiliense, 1985.

- Disponível em http://www.suapesquisa.com/biografias/nelson_mandela.htm Acessado em 22/10/2011;

- Disponível em http://www.brasilescola.com/biografia/nelson-mandela.htm Acessado em 23/10/2011;

- Disponível em www.mundonegro.com.br Acessado em 20/10/2011;

- Disponível em http://www.suapesquisa.com/o_que_e/apartheid.htm Acessado em 21/10/2011;



Grupo (Noite):

Anna Karla R. Freire (108.10.019.0)

Letícia de Bragança Teixeira Pinto (310.100.84)

Micirlene Gabriel Ribeiro da Silva (108.100.46)

Monique Oligario de Almeida (105.10.118)

Pedro H.F. Oliveira (309.100.98)

2011.2