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domingo, 9 de outubro de 2011

João da Bahiana

João Machado Guedes
 17/5/1887 Rio de Janeiro, RJ 
 12/1/1974 Rio de Janeiro, RJ



Compositor. Pandeirista.

Filho de Félix José Guedes e Perciliana Maria Constança. Seus avós, ex-escravos tinham uma quitanda de artigos afro-brasileiros no Largo da Sé. Sua mãe, conhecida pelo nome de Tia Perciliana, era baiana, donde surgiu seu apelido, João da Baiana, para distingui-lo de outros Joões do bairro. Foi criado na Rua Senador Pompeu, no bairro da Cidade Nova, onde tomou lições de cartilha com D. Maria Josefa. Na infância, teve como companheiros os futuros compositores Donga e Heitor dos Prazeres. Seus pais constantemente promoviam festas de candomblé, para as quais deviam tirar licença com o chefe de polícia, pois na época o samba, a batucada e o candomblé eram manifestações proibidas. Sua mãe teve 12 filhos, todos baianos, exceto ele. Um de seus irmãos - O Mané - era palhaço do Circo Spinelli e tocava violão e cavaquinho. Uma de suas irmãs tocava violino. Começou a compor sambas desde garoto. Sua mãe apreciava os dotes do menino para a batucada, o candomblé e a macumba, dotes que o destacavam de seus irmãos. Iniciou-se no pandeiro, instrumento para o qual tinha grande aptidão. Segundo seu depoimento ao M.I.S, que abriu em 1966 o ciclo de depoimentos para a posteridade, de larga repercussão no Rio e em todo o país, "eu sempre me dediquei ao pandeiro porque tinha amor ao ritmo. Os garotos formavam uma roda de samba e eu é quem tocava melhor o pandeiro". Ainda menino, trabalhou no circo como chefe da claque dos garotos que respondiam ao "Hoje tem marmelada ? Tem sim senhor". Por essa época, passou a se dedicar à pintura, uma grande paixão do compositor. Aos nove anos, ingressou como aprendiz no Arsenal da Marinha. Deu baixa três anos mais tarde, passando então a trabalhar no 2º Batalhão de Artilharia, como ajudante de cocheiro sob o camando de Hermes da Fonseca, futuro Marechal e Presidente da República. Em 1908, quando se apresentava na tradicional Festa da Penha, teve seu pandeiro apreendido pela polícia. O senador Pinheiro Machado, que era seu admirador e que freqüentemente promovia festas em "seu" palácio no Morro da Graça, o convidou para uma dessas festas e como ele não apareceu, quis saber o porque. Ao saber que o instrumentista tivera seu pandeiro apreendido, resolveu presenteá-lo com um novo padeiro, que trazia a seguinte inscrição: "Com a minha admiração, ao joão da Baiana - Pinheiro Machado". Com essa dedicatória do senador, pode voltar por diversas vezes à Festa da Penha, como integrante do Grupo do Malaquias, sem que a polícia fosse atormentá-lo. Em 1910, passou a trabalhar no Cais do Porto, sendo promovido a fiscal, em 1920. Por esse motivo, não acompanhou "Os oito batutas" à Paris, pois não queria trocar seu emprego certo pela aventura. Aposentou-se em 1949. Casou-se e teve dois filhos que morreram ainda na infância. Em 1972, foi recolhido à Casa dos Artistas, em Jacarepaguá, onde morreu dois anos depois.

Biografia
Dados artísticos
Obra
Discografia
Bibliografia Crítica
Fonte: Dicionário Cravo Albin da Música Popular Brasileira

Trecho retirado do filme Saravah de Pierre Barouh. 1969 (c/ legenda)
João da Baiana canta, toca prato e faca e sapateia. Baden ao violão. Os dois tocam Okekerê de autoria do João e Yaô do Pixinguinha.



Patrão, Prenda seu gado (João da Baiana/Pixinguinha/Donga)

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Mais um terreiro de umbanda é condenado à destruição em São Gonçalo

Era o dia da liberdade, da abolição da escravatura e, na tradição da umbanda, da festa dos pretos velhos, entidades que simbolizam os povos do cativeiro. Mas, para Cristiano Ramos Batista, de 37 anos, herdeiro de uma das mais tradicionais famílias umbandistas de São Gonçalo, 13 de maio — e, especificamente, o de 2010 — tornou-se marco da luta contra a destruição de seu patrimônio religioso.

Nessa data, a prefeita Aparecida Panisset, evangélica, assinou um decreto desapropriando o terreno onde está, há 40 anos, o Centro Espírita Umbandista Caboclo Pena de Ouro, comandado por Cristiano. No dia seguinte, a decisão foi publicada no Diário Oficial do município.

Esta semana, outro marco da religião começou a ser posto abaixo na cidade: a casa no bairro de Neves onde, há 103 anos, foi fundada a umbanda. A demolição poderia ter sido evitada com um decreto da prefeita. Nesta quarta-feira, durante o abraço simbólico ao berço da umbanda, integrantes de religiões de matriz africana denunciaram que sofrem perseguição em São Gonçalo.

— Vivemos numa cidade na qual, há oito anos, não há um governante que respeite a diversidade religiosa do povo que o elegeu — afirma a ialorixá Mãe Márcia de Oxum.

O imóvel do Centro Caboclo Pena de Ouro será demolido para a construção de uma vila olímpica. Cristiano entrou na Justiça contra a obra:

— Queremos o direito de dar continuidade ao nosso trabalho espiritual.

O terreno do Centro Espírita Umbandista Caboclo Pena de Ouro tem 23 mil metros quadrados. Cerca de 60% da propriedade são de mata atlântica, com espécies nativas preservadas. O pai de santo, batizado na religião como Cristiano de Oxalá, conta que, no último ano, funcionários da prefeitura entraram na propriedade e começaram as obras. O religioso reclama que nunca houve diálogo apesar das várias tentativas.

— Tentamos negociar para que deixem pelo menos o espaço onde são realizados os trabalhos espirituais. Estamos lutando há um ano. Já fecharam a entrada da propriedade com tapumes, invadiram o terreno para passar manilhas. Agora, as obras estão paradas porque a verba para a vila olímpica foi bloqueada pelo Ministério dos Esportes — diz o pai de santo.

O templo nasceu há 40 anos no bairro de Sacramento. Antes, estava instalado em Niterói. A história de pai Cristiano de Oxalá tem raízes no terreiro destruído anteontem no bairro de Neves.

— Meu pai foi iniciado por Mãe Vitória, que frequentava o terreiro de Zélio de Moraes — relata, referindo-se ao fundador da religião.

Além da atuação religiosa, o Centro Espírita Caboclo Pena de Ouro distribui cestas básicas nos fins de ano e cede espaço do seu terreno para professores treinarem, gratuitamente, crianças no futebol:

— Somos aceitos por toda a comunidade. Temos apoio de todos os comerciantes locais, como de outros bairros que sempre nos prestigiaram na nossa cidade.

Fonte: Jornal Extra

Centro Umbandista é parcialmente demolido em São Gonçalo - RJ

A casa onde teria surgido a primeira religião considerada 100% brasileira, que fica localizada na Rua Floriano Peixoto, em Neves, São Gonçalo, começa a ser reduzida a escombros.


Abaixo reportagem do site SRZD em 06/10/11

A Comissão de Combate à Intolerância Religiosa (CCIR) se reuniu na tarde desta quinta-feira na frente do prédio da Prefeitura de São Gonçalo, Região Metropolitana do Rio, para a realização de um ato contra a demolição de um imóvel onde a Umbanda era realizada. Ato procura buscar respostas com a prefeita Aparecida Panisset.
Em nota, a comissão informou que existe uma dificuldade no diálogo com as autoridades do município. Por conta disso, umbandistas, candomblecistas e espíritas se uniram na frente da prefeitura para tentar marcar uma audiência com Panisset.
Na última quarta-feira, religiosos se encontraram para dar um abraço simbólico em frente ao imóvel. Durante o encontro, formas de cobrar dos poderes públicos medidas para combater a intolerância religiosa foram discutidas.
Conforme o espírita Sidney Valle, destruir um patrimônio ligado a religião, é um descaso com a história.
"Destruir um patrimônio desse é um descaso com a história e até mesmo uma burrice. O espaço poderia servir de museu, com documentação da história da umbanda. Poderia ser ponto turístico, gerando receita para o município", disse.
Em resposta, a Prefeitura de São Gonçalo informou que não houve nenhum comunicado formal por parte das entidades religiosas. "Em nenhum momento foi defendido por aqueles que agora defendem sua preservação", diz prefeitura.
Mas ressalta que defende qualquer tipo de liberdade de culto, e que as licenças para a obra serão checadas.

Fonte: http://www.sidneyrezende.com/noticia/148209+centro+umbandista+e+parcialmente+demolido+em+sao+goncalo+no+rio

terça-feira, 23 de agosto de 2011

África e Africanidades

Bom dia pessoal, este é um site muito legal sobre a cultura e história afrodescendente no Brasil e no Mundo. Há vários textos e artigos muito interessantes neste site. Gostaria que vocês dessem uma olhada depois. É um boa referência pra iniciarmos esse trabalho com o nosso blog.


domingo, 21 de agosto de 2011

História do povo Guarani no Brasil

Domingos Nobre 
Seres do devir, para os Guarani a destruição do mundo não é um termo, mas uma linha de fuga que os arrasta para um além sempre adiado – e  isto é o presente. Melancolia, ou orgulho, deste povo imperceptível? (CASTRO, 1987: xxxiii)  

A etnografia guarani recente é rica e com uma vasta produção. Autores clássicos  importantes como: Curt Nimuendaju (1987), Pierre Clastres (1978, 1990 e 2004), Hélène  Clastres (1978), Egon Schaden (1974, 1976, 1976a, 1989), Alfred Métraux (1979), León Cadogan (1992) e, recentemente, Bartomeu Melià (1979, 1991, 1995, 1997 e 2000) produziram uma interessante etnologia indígena Guarani e que continua atraindo estudiosos da Antropologia e, mais recentemente, da Educação. Séculos de contato com os portugueses e espanhóis teriam produzido muitas transformações irreversíveis, como: a enorme diminuição demográfica, o aprisionamento territorial, as crises políticas internas de liderança e o suposto impacto das missões sobre a religião e religiosidade dos Guarani. Hoje os Guarani somam apenas 35.000 índios em
território brasileiro e cerca de 90.000 em territórios paraguaios, argentinos e bolivianos (ISA, 2000), cifras inexpressivas em relação à população Guarani colonial; todos os grupos Guarani encontram-se confinados em Aldeias relativamente pequenas ao longo do litoral, se comparadas às extensas áreas que ocupavam os grupos Tupi-Guarani anteriormente e que iam da Amazônia à Bacia do Prata (Brandão, 1990:54) constituindo uma “nação em estado de liberdade” (Almeida, 2001:119); diversas  novas Aldeias menores surgiram a partir da divisão entre lideranças, assim como grupos macro-familiares foram obrigados a conviver entre si, confinados em diminutas e poucas áreas, criadas como Postos Indígenas pelo Estado brasileiro, a partir de 1910 (Almeida,  1998:19). Muitas igrejas protestantes com suas missões estão instaladas hoje, dentro de aldeias Guarani e vários índios convertidos transformaram-se em pastores, chamados  hoje de índios crentes” (Almeida, 2001) e para Brandão (1990) haveria guarani católicos e guarani crentes, mas em alguns casos preservando a essência de uma religião Guarani.
Continua. Acesse o artigo (pdf)

Religião, religiosidade e educação


11/07/2011
Por Jurema Nunes e Monica Valéria


O sagrado constitui uma categoria universal da experiência humana. Uma das formas de relacionar-se com essa categoria é através do que conhecemos por religião. A religião e a noção de religiosidade estão entre nós desde sempre. A experiência religiosa, dizem alguns, está na base da ação social e dá-lhe sentido. Religião seria o resultado do que somos capazes de registrar em relação ao inefável e religiosidade seria a disposição do indivíduo para integrar-se às coisas sagradas. Advindo do latim, re-ligare, pode ser um conjunto de práticas e crenças relacionadas com o transcendental, que tem como elementos derivativos os rituais, os códigos e as leis morais. Enquanto algumas encontram a base de tais códigos e leis nos dogmas, outras têm preceitos e interdições.


A religião dá-nos, através dos ritos, mesmo que mínimos, uma noção de segurança - um como se - que transforma o mundo ameaçador e enigmático - como diria Bronislaw Malinowski (1884-1942), um dos fundadores da antropologia social. A religião é um fenômeno social e individual, inextricavelmente ligado a outros aspectos da cultura e da sociedade. Um exemplo disso é o fato de que, embora hoje, em África, as religiões tradicionais representem uma porcentagem menor que segmentos cristãos e islâmicos, ainda persiste a ideia de que “nascer, casar e morrer” tenha que ser permeado por tais tradições de alguma forma.
Continua. Leia o artigo completo na página do Projeto "A Cor da Cultura"


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Candomblé, afinal o que é?

Jairo SantiagoProfessor Doutor em Comunicação /ECO/UFRJ