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quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Funcionária diz ter sido discriminada em colégio de SP por cabelo crespo

Diretora afirmou, que padrão do colégio é cabelo liso. Estudante de 19 anos é estagiária em colégio da Zona Sul da capital.

A estudante de pedagogia Ester Elisa da Silva Cesario, de 19 anos, afirma que foi discriminada no colégio em que trabalha como estagiária no Brooklin, na Zona Sul de São Paulo, por conta do seu cabelo crespo. O caso, de acordo com Ester, aconteceu em novembro. O colégio diz que a situação é um mal-entendido. A estudante prestou queixa na Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (Decradi) e seguia trabalhando nesta quarta-feira (7).

Segundo Ester, a diretora do Colégio Internacional Anhembi-Morumbi disse a ela que cabelos crespos não representavam a escola. "Ela me falou que o padrão é cabelo liso, que ela teve que alisar para manter a 'boa aparência'." A estudante fazia visitas monitoradas ao colégio com pais. A história foi publicada pelo jornal Folha de S.Paulo nesta quarta.

Em nota, a direção da escola afirma que ela "e o restante da equipe de funcionários com a qual nossa estagiária trabalha nunca teve a intenção de causar qualquer constrangimento".

Para Cleyton Wenceslau Borges, advogado de Ester e membro da União de Núcleos de Educação Popular para Negras/os e Classe Trabalhadora (UNEafro), o racismo acontece tanto de formas diretas como indiretas. "Não há dúvidas de que quando é feita uma associação do cabelo crespo em contraponto ao cabelo liso, isso quer dizer que o cabelo liso é o correto, o bonito, o padrão", afirmou.

De acordo com Borges, uma investigação criminal já está em andamento.Também serão exigidas indenizações nas áreas trabalhista e cível por ofensa à dignidade e à honra como mulher negra, além de abalo psicológico.

De acordo com a professora Mercedes Vieira, conselheira do colégio, a situação foi uma falha de comunicação. "O padrão do departamento é usar cabelo preso, camiseta do colégio e calça jeans. Se a escola fosse preconceituosa, nós nem a teríamos contratado", justificou.


Fonte: G1

sábado, 5 de novembro de 2011

Consciência negra é tema de exposição no Teatro SESI Jacarepaguá

Mostra gratuita irá de 03 a 30 novembro expondo os valores e a estética da cultura afro-brasileira .

Rio - No mês da consciência negra o Teatro SESI Jacarepaguá presta homenagem à cultura afro-brasileira. De 03 a 30 de novembro, o artista plástico Alcir Dias, nascido no bairro de Jacarepaguá, apresenta a exposição “Pintura afro-brasileira” mostrando toda a paixão em suas obras que retratam os costumes da cultura negra. A mostra poderá ser visitada sempre nos dias e horários das atrações do teatro e terá entrada franca. A classificação é livre.


Apesar da grande parcela da população brasileira ser integrada por negros e mestiços, o estereótipo e a marginalização sempre fizeram parte do seu cotidiano no quesito arte e cultura. O artista plástico Alcir Dias tenta minimizar o problema procurando revelar que a cultura brasileira possui uma diversidade rica e negra, e que é pouco vista nos circuitos artísticos contemporâneos.

Detentor de um olhar acurado e harmonioso, suas obras retratam a imagem do homem e da mulher negros, deuses e deusas da mitologia africana, retratos de crianças e mulheres, onde uma figura ilumina a outra, e os mitos negros se juntam aos seus descendentes na luta contra os preconceitos e a segregação étnica e social.

Alcir Dias é artista plástico e concluiu o curso de professorado de desenho na Escola de Belas Artes da UFRJ, em 1970. Em 1985, teve a orientação do também artista plástico Hilário Silva Neto, durante um ano com suas experiências com óleo sobre tela. Só a partir de 2002 iniciou sua produção como artista plástico de óleo sobre tela.

.[Exposição pinturas afro-brasileiras (gratuita) , do dia 03, até 30 de novembro, sempre nos dias e horários das atrações do teatro, no Teatro SESI Jacarepaguá - AV. Geremário Dantas,940 – Freguesia, Rio de Janeiro.

Fonte: Portal Fator Brasil

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

A Girl Like Me - Legendado em português


"Para essa jovens adolescentes norte americanas, cor é muito mais que a pele. É assim que elas se definem diante das câmeras. Um curta brilhante legendado pela equipe do projeto Bem-Me-Quer, para que professores e demais educadores possam utilizar em sala de aula com seus alunos estimulando o debate e a reflexão sobre o tema."

Fonte: Binside TV

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Histórias de professoras negras: A presença da oralidade nas trajetórias de resistência


Míghian Danae Ferreira Nunes
Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo/ FEUSP

professora negraEste trabalho insere-se numa discussão mais ampla sobre o acesso das mulheres negras à educação formal e no modo como resistiram ao racismo institucional, continuando presentes no espaço escolar e tornando-se professoras. Estudar as mulheres negras e seus percursos escolares é tarefa imprescindível se desejamos ampliar nossos conhecimentos acerca dos grupos sociais presentes em nossas escolas públicas; aqui, trago algumas conclusões sobre pesquisa em andamento no Mestrado em Educação da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (FEUSP) sobre as professoras negras de Educação Infantil da cidade de São Paulo, pesquisa esta vinculada às contribuições da história oral (MEIHY, 1996), entendendo-a como uma sistematização dos referenciais africanos de oralidade (BÂ, 1982), estes identificados no grupo afro-brasileiro pesquisado.
Os questionamentos que me levaram ao estudo mais aprofundado sobre esta temática iniciaram-se quando ingressei na rede municipal de São Paulo como professora de Educação Infantil, há seis anos; chegando à universidade para realizar estudos de pós-graduação, acreditei ser possível transformar minhas inquietações pessoais – fruto das relações que mantenho com meus grupos de pertencimento racial, de gênero e origem – em pesquisa. 
Percebi que o número de professoras negras ali era maior do que em escolas de ensino fundamental e médio, evento já comprovado em pesquisa realizada em 1985, tendo como autoras Lúcia Elena Oliveira, Rosa Maria Porcaro e Tereza Cristina Nascimento Araújo Costa, intitulada O lugar do negro na força de trabalho 1. Nesta publicação, pode-se perceber que as mulheres negras que estão no magistério atuam em maior número na Educação Infantil, comparado aos outros níveis de ensino. Constatações muito semelhantes também foram alcançadas pela pesquisadora Waldete Tristão de Oliveira em sua dissertação Trajetória de mulheres negras na educação de crianças pequenas no distrito de Jaraguá em São Paulo: processos diferenciados de formação e de introdução no mercado de trabalho:
(...) cada dia mais, surpreendia-me ao encontrar significativo número de mulheres negras atuando nesse tipo de instituição, diferentemente do que eu estava acostumada a ver e conviver desde o meu ingresso em Escolas de Educação Infantil (OLIVEIRA, 2006, p. 26).
Acesse aqui o trabalho "História de professoras negras"

domingo, 18 de setembro de 2011

Brasileiras vibram com vitória da angolana Leila Lopes no Miss Universo

Quando a angolana Leila Lopes ganhou o título de Miss Universo, segunda-feira, Mayra, Daffini, Thainá, Caroline, Luana, Rafaella e tantas outras milhões de representantes da beleza do continente africano também se sentiram coroadas aqui no Brasil.

Moradora do Complexo do Alemão, a estudante Thainá Dias Batista Oliveira, de 17 anos, desfila sua beleza pelos salões do Rio. É bolsista em uma academia de dança, mas planeja investir em uma faculdade, como Leila, descoberta por um agente enquanto estudava Administração na Inglaterra. A dançarina brasileira já coreografou seu futuro: será engenheira de petróleo.

— Eu me senti representada. Por ser negra, a Leila Lopes valoriza a nossa raça. Muitas pessoas ainda não aceitam o estilo afro. Olham, cochicham, mas o racismo não me afeta. Preconceito está fora de moda — decreta a bela Thainá.

Beleza brazuca

Que o diga a modelo Luana Martins, de 22 anos. Criada na Penha, a filha única da determinada auxiliar de enfermagem Ana Cristina de Souza sempre ouviu nas ruas que tinha nascido para as passarelas e estúdios de moda. Mas desconhecia o caminho. Aos 18, de braços dados com a mãe, decidiu tentar a sorte no Fashion Rio e no São Paulo Fashion Week. Bingo duas vezes. No evento carioca, ela conheceu uma jornalista francesa que a convidou para desfilar no dia seguinte. E a levou para seu primeiro trabalho em Paris. Em São Paulo, a beldade recebeu convite para participar de uma campanha da Natura. Hoje, ela brilha na moda europeia. Mas já teve que ouvir de um agente que era linda, mas tinha um "problema". A pele negra.

— A situação já melhorou, mas não se pode dizer que está bom. Nas passarelas, só se conhece a Naomi (Campbell). E as tantas outras profissionais? Temos que lutar contra isso. É hipocrisia dizer que não existe preconceito. O perigo está em negar o racismo — defende a autora do blog "O lado negro da moda".

A linda modelo Fernanda Queiroz concorda:

Nós merecíamos, para ainda acreditar que nós negras somos capazes de vencer um concurso tão importante como esse.

Revelada no projeto Lente dos Sonhos, idealizado pelo fotógrafo Tony Barros para ensinar os segredos do mundo da moda a meninas das favelas cariocas, Rafaella Lemes, de 19 anos, representou a Rocinha no concurso Beleza na Comunidade, da TV Record. A modelo brasileira, que acabou de fazer seu book para apresentar a agências, vibrou com a vitória da angolana.

— Eu torci muito por ela. É a mesma raça, a mesma cor. É como se fosse eu mesma — diz a menina com a beleza do Brasil.

Fonte: Jornal Extra

terça-feira, 13 de setembro de 2011


Somente uma singela homenagem à beleza da mulher negra...

No país que detém a maior população negra fora do continente africano
 a beleza de uma angolana derrota o racismo e deixa o júri de boca aberta. 
Miss Angola é primeira negra a vencer o Miss Universo

A Miss Angola Leila Lopes (Na Foto), venceu o concurso Miss Universo 2011 e foi eleita a mulher mais bonita do mundo. A Miss, a primeira negra a vencer o concurso, desbancou as cinco finalistas. O evento, que aconteceu na noite desta segunda-feira (12), foi no Credicard Hall, em São Paulo.

Na primeira vez em que o Brasil foi sede de um concurso de Miss Universo, a brasileira quase chegou lá: a gaúcha Priscila Machado ficou em terceiro lugar. O título ficou com Leila Lopes, de Angola. 


É  bom ver que os paradigmas de beleza estão sendo quebrados. 
Ela desbancou 89 candidatas!! Gente, isso não é para qualquer uma não hein!!



Falei a mim mesma que iria vencer – Leila Lopes Jornal do Brasil

Após vencer o Miss Universo 2011, Leila Lopes (Na Foto), atendeu a imprensa do mundo todo, no palco em que foi coroada, na noite de segunda-feira (12), no Credicard Hall, em São Paulo.

A angolana contou o motivo de ter vencido o concurso. “Meus amigos dizem que minha principal qualidade é o meu sorriso que consegue contagiar as pessoas. Tentei ser a pessoa mais alegre, independente de ter problemas, de estar numa competição. Acho que consegui transparecer isso", disse.

Mas pelo visto não foi só o sorriso o “motivo principal” que a fez ganhar. “Eu falei para mim mesma que eu iria vencer. Eu acreditei”, contou ela.

Leila também falou qual foi a maior dificuldade enfrentada no decorrer da preparação para o concurso. “A minha timidez. No palco não parece tanto, mas sou muito tímida. Tanto que não imaginava ser Miss. Sempre fui muito envergonhada mas com o tempo as pessoas me diziam que era para eu concorrer ao miss angola. Aí fui acreditando e aqui estou”, disse ela que ainda acrescentou: “Olhava pras outras raparigas nos ensaios, elas eram tão soltas, e eu me perguntava será que iria conseguir", disse.

Para a atual miss universo um dos momentos mais estimulantes da noite foi ter se consagrado entre as cinco finalistas. "Quando entrei no Top5 fiquei muito ansiosa. Era a primeira vez que meu país entrava e fiquei nervosa porque queria muito ganhar", falou.

 
Única negra a estar entre as finalistas - e quarta integrante do continente africano a vencer o concurso -, Leila falou sobre a questão do racismo no mundo. "Felizmente o racismo não me atinge. Acho que os racistas precisam procurar ajuda, não é normal em pleno século XXI ainda pensarem nessa forma. Devemos todos nos respeitar, independente da raça, do sexo e do meio social", disse.

Conhecida em seu país como "diamante negro" Leila contou sobre um dos rumos que irá tomar em seu reinado. "Minha beleza vai ajudar a todos. Vou lutar contra a AIDS, porque este é o principal projecto em Angola", disse a Miss.

Ao final da colectiva Leila agradeceu aos seus conterrâneos. "Angola, muito obrigada por ter torcido, acreditado em mim, eu vi as mensagem no Facebook. As pessoas me ligavam e diziam que tinha notícias minhas nos jornais, que o diamante negro de Angola estava se destacando no Miss Universo", disse emocionada.

Matérias retiradas do site: Ango Notícias

sábado, 10 de setembro de 2011

Poema de Auto Afirmação - Jocélia Fonseca

Auto Afirmação

A beleza que nos conduz para a luta

É a mesma que nos mantém no dia a dia

Como feras de presas saudáveis

A agarrar o que nos é de direito.

Tomemos o lugar que é nosso

Que nos tomaram sem licença.

Minha licença agora, senhores outros,

Será apenas por uma questão de educação ancestral.

Mas olharei na tua cara, através dos seus olhos direi:

Não mais conduzirá meus anseios, meu amor, minha sorte!

Sou dona do meu belo black,

Da minha pele cor de noite

E do meu nariz.

Esse nariz que não passa nos moldes que você inventou padrão.

Vá se chatear você!

Quando me vê passar com um sorriso largo,

Nos meus lábios pretos largos.

Senhores opressores e preconceituosos da minha vida.

Vá se deprimir você!

Vá se inferiorizar você!

Porque eu vou passar as ruas como se fossem passarelas,

A receber esta grande rainha negra!

Jocélia Fonseca

Poetisa baiana

Este poema é de uma poetisa baiana- Jocélia Fonseca, que eu já acompanho a algum tempo. Como ela foi citada no matéria que postei, achei interessante postar este poema que é muito citado por integrantes de movimentos negros e é um dos mais conhecidos na produção de Jocélia.

Escritoras Negras Baianas: Uma literatura de Resistência e Interpretação de Si

Em relação à mulher negra, não é difícil constatar que na história literária brasileira, do período colonial ao contemporâneo, perpassa um discurso sobre o outro, no qual se institui uma diferença confundida e assumida como desigualdade e inferioridade. Essa representação é nutrida pelos estigmas e preconceitos e pelos mecanismos de racismo que permeiam os diversos segmentos sociais. Ela também reproduz estereótipos que a inferiorizam e a subjugam, através de qualitativos, imbuídos de imagens do seu passado de escravização, de subalternidade, de exploração, de sensualidade, de libido e de virilidade exacerbadas. Há, pois, na tradição literária, um reforço de atributos e papéis sociais que a animalizam. Além disso, é comumente associada ao mal, ao feio, à perdição, à desgraça e à morte.
Há de se considerar, no entanto, que existe uma presença resistente de escritoras negras, que, apesar de suas obras não estarem presentes na história literária, nos circuitos editoriais e mercadológicos e de não serem respaldadas pela crítica, elas inventam uma outra representação de si, de suas histórias e dos mundos que lhes circundam. Temas como culturas afro-brasileiras, ancestralidades, escravidão, formas de resistência, amor, liberdade, identidades, poder, solidão, sofrimentos etc são continuamente (re) inventados em sua produção literária.
Nomes, tais como Rosa Egipcíaca, Teresa Margarida da Silva, Maria Firmina dos Reis, Antonieta de Barros, Auta de Souza, Maria Carolina de Jesus, Conceição Evaristo, Miriam Alves, Alzira Rufino, Esmeralda Ribeiro, Geni Mariano Guimarães, Sônia Fátima, dentre outros, provocam estranhamentos e, concomitantemente, nos levam a pensar que a sua ausência na tradição literária já são indícios das relações desiguais étnico-raciais e de gênero entre nós. Na Bahia, a literatura, dentre outras, de Aline França, Fátima Trinchão, Wanda Machado, Rita Santana, Lita Passos, Mel Adún, Jocélia Fonseca, Elque Santos ressignifica as africanidades, histórias e vivências, bem como tecem afirmativamente uma escrita de si e uma auto-representação.
A literatura de escritoras negras baianas constitui-se, em verdade, como práticas que provêm da busca de descentramento e de deshierarquização de saberes e de seus processos de elaboração, bem como de enfrentamento das múltiplas formas de interdição, ou seja, de impedimentos e de não possibilidades de produção e de divulgação da sua literatura. Suas obras, portanto, nos remetem a pensar que necessário se faz provocar abalos no cânone literário, descolonizando a identidade autoral e forjar caminhos de incluí-las nos diversos cenários das Letras, inclusive nos currículos escolares e no fazer pedagógico.
***Ana Rita Santiago da Silva é doutoranda em Letras (UFBA). Atualmente desenvolve a pesquisa Escritoras Negras Baianas: Vozes des (veladas) sobre afro-descendências. E-mail: asantewaa@terra.com.br.

domingo, 21 de agosto de 2011

Quilombos, jongos/caxambus, jovens, negros e negras, favela - Filmes do Observatório Jovem/UFF

Assista na internet aos vídeos do Canal do Observatório Jovem  no UFFtube (clique nos links abaixo para assistir)

Jovens do Palácio: cinco caminhos


Mini-DV
Duração: 57 min.
Produção: Observatório Jovem do Rio de Janeiro ( Faculdade de Educação/Programa de Pós-Graduação - UFF)
Direção: Paulo Carrano

Sinopse:
O documentário "Jovens do Palácio" é resultado de um diálogo de pesquisa com cinco jovens com idades entre 20 e 28 anos (quatro homens e uma mulher), moradores da comunidade do Morro do Palácio, Niterói. Os entrevistados participaram de projetos de arte e agenciamento cultural desenvolvidos pelo Museu de Arte Contemporânea da cidade de Niterói. Os jovens desenham mapas de seus percursos e redes de relacionamentos na cidade, narram cotidianos, histórias de vida e expectativas de futuro que revelam seus caminhos biográficos. O filme é resultado de pesquisa que inventaria modos de vida de jovens adultos moradores de favela e descreve cenas do cotidiano do morro e outros lugares da cidade frequentados pelos jovens. Estes contam sobre o bom de se viver “em comunidade”, mas também revelam as dificuldades do morar em território de favela encurralada pelo domínio territorial do tráfico de drogas e a violência de policiais. A escola, o trabalho, a maternidade, a religião e projetos de futuro são temas abordados nos depoimentos.
Apoio: CNPq e Faperj

Ano: 2011

O Fado é bom demais....
O Documentário é sobre o fado de Quissamã (Brasil), uma realização do ICS sob a direção do Prof. Dr. José Machado Pais com o apoio do Observatório Jovem/UFF e a supervisão do prof. Dr. Paulo Carrano.
"Em Quissamã, na região Norte Fluminense (Estado do Rio de Janeiro) existe um fado que remonta aos tempos dos engenhos de açúcar, «casas grandes» e senzalas. As suas origens encontram-se envoltas em mistério. Porém, no mito popularmente mais enraizado reivindica-se que «o fado é de Deus!» - por isso é dançado em cruz.  Violas e pandeiros acompanham este fado dançado e cantado, por vezes ao desafio". (José Machado Pais). 
Ano: 2010 (32':54")
FICHA TÉCNICA
TÍTULO ORIGINAL:Sou de Jongo
GÊNERO: Documentário
DIREÇÃO: Paulo Carrano
ROTEIRO: Paulo Carrano, Marcela Bertolleti, Patrícia Ramos
EDIÇÃO: Marcela Bertolleti, Paulo Carrano, Patrícia Ramos, Sarah Esteves, Luciano Dayrell, Mariana Camacho
SOM: Patrícia Ramos, Estúdio Umuarama
DURAÇÃO: 01h07min’
SINOPSE: Homens e mulheres participantes de diferentes comunidades do sudeste brasileiro, praticantes da dança do jongo, entrelaçam depoimentos sobre suas vidas e esta cultura que tem sua origem nas práticas de trabalho, festa, religiosidade e resistência de seus antepassados africanos escravizados no Brasil. Os narradores contam e cantam a cultura jongueira - seus pontos, os tambores, a dança na roda - revelando também histórias pessoais de iniciação, envolvimento, superação de preconceitos - de gênero, raça e idade - e produção cultural.
Produção Pontão de Jongo e Caxambu – Universidade Federal Fluminense (UFF)
Realização Observatório Jovem do Rio de Janeiro - UFF. 
Ano: 2009


Título : Unha Preta

Duração : 25:52

Descrição : Nas vastas planícies sanfranciscanas, drenadas pelo rio Verde Grande no Norte de Minas Gerais, duas comunidades de remanescentes de quilombo: Gurutuba e Brejo dos Crioulos, revelam um tempo em que os negros que aí chegaram construíram autonomamente seu modo de vida em liberdade, como reafirma o Sr. Narciso “... eram terras de ausente”. A seu favor, os furados (ambientes rebaixados que acumulavam água no período das chuvas) infestadas pela malaria, impediram durante muito tempo que outras populações, que não as negras, vivessem aí. Assim, nestas terras de ninguém, constituiu-se um espaço territorial livre, denominado de Campo Negro da Jahyba. Esta situação mudou a partir dos anos 1960, quando o governo, por meio de políticas de desinsetização e subsídios para empresas agropecuárias, dá partida ao processo de expropriação que expulsa milhares de famílias de seus locais de origem. Neste documentário alguns representantes dessas populações que vivem encurraladas em pequenos espaços de terra, expressam lucidez quanto aos valores de sua cultura e nos contam suas vidas e seus anos de luta pelos direitos étnicos.

Realização: Comissão Regional de Povos e Comunidades Tradicionais; Centro de Agricultura Alternativa do Norte de Minas. 
Colaboração: Observatório Jovem/UFF




"Deixa a Moreninha passear" 

Documentário de pesquisa realizada para trabalho final do Curso de Pedagogia
Autora: Priscila da Cunha Bastos
Orientador: Prof. Paulo Carrano
Grupo de Pesquisa Observatório Jovem do Rio de Janeiro/UFF
Ano:2006
Local do filme: Quilombo São José da Serra - Valença - Rio de Janeiro






Duração: 17' 10"

Produção: Observatório Fundiário Fluminense e Observatório Jovem da UFF
Direção acadêmica: Ana Maria Motta Ribeiro Motta e Paulo Carrano
Filmagem: Ana Beatriz e Silva, Flávio Serafini, Lila Almendra e Luciano Dayrell
Edição: Ana Beatriz e Silva, Lila Almendra e Luciano Dayrell
Duração: 16 minutos
Formato: Digital Mini-DV
Sinopse
A comunidade da Marambaia ocupa esta Ilha, no litoral de Mangaratiba-RJ, há mais de 100 anos, constituindo um território étnico onde vivem descendentes diretos ou indiretos de negros escravizados que ali aportavam por ser a ilha um dos pontos de desembarque do tráfico negreiro. Nas últimas três décadas, desde que a ilha foi declarada Área de Interesse Militar, a comunidade tem vivido conflitos com uma base da Marinha de Guerra. Os moradores lutam para garantir o direito coletivo ao território por meio legais junto ao poder público e estabelecem estratégias de conscientização através do trabalho de resgate cultural e auto-reconhecimento. O filme “É minha terra...” registra a expectativa de jovens e antigos moradores que buscam se reconhecer na cultura e na tradição sem perder de vista os desafios do presente e a construção de projetos para o futuro que passam pelo desenvolvimento comunitário e a preservação do patrimônio ambiental da ilha.

Bracuí: Velhas lutas, jovens histórias

“Em Angra dos Reis, às margens da rodovia Rio-Santos encontra-se a comunidade quilombola Santa Rita do Bracuí. Desde os anos 1960 os moradores travam luta contra grileiros e condomínios de luxo para se manter nas terras que herdaram de seus antepassados. Antigos e jovens moradores compartilham memórias, experiências e projetos e se associam para a conquista da titulação da terra como território quilombola e para construir alternativas de desenvolvimento comunitário. As narrativas revelam o processo de construção de identidades negras e quilombolas que não se faz sem contradições e não é vivido da mesma maneira por todos. No diálogo intergeracional, os jovens e as jovens do quilombo revelam o compromisso com a herança que envolve a continuidade da luta e a renovação da cultura da dança do jongo”.
Duração: 43'
Ano: 2007

Se eles soubesssem.... 


Descrição : O Vídeo-documentário revela experiência escolar que aponta para a valorização da cultura negra.
Duração : 29:11
Ano: 2006


Tio Mané (Quilombo São José da Serra)
Sementes da Memória

Descrição : O filme acompanha o cotidiano de trabalho e o lazer de jovens da Comunidade de Remanescentes de Quilombos São José da Serra, localizada no município de Valença/RJ. A comunidade é conhecida pela dança do jongo originada em terreiros de escravos. O documentário trata das relações entre tradição e inovação cultural que os jovens estabelecem com os mais velhos e da luta pela conquista de direitos: à titulação da terra, à educação e ao trabalho. Os jovens e as jovens do quilombo se apresentam nas fronteiras entre o tradicional e o moderno, o campo e a cidade, individualidades e identidades coletivas.
Duração : 45:57
Ano: 2006

Educação Quilombola


A palavra quilombo tem origem na língua banto e se refere a um tipo de instituição sociopolítica militar conhecida na África Central, mais especificamente entre Angola e a atual República do Congo.

No Brasil escravocrata a palavra foi usada para designar comunidades organizadas por escravos negros fugidos, mas que também abrigavam índios e brancos pobres. Um dos quilombos mais conhecidos é o de Palmares, situado no interior de Alagoas, num local de difícil acesso. Formou-se por volta de 1595, ocupando um espaço territorial equivalente a um terço de Portugal, com cerca de 30 mil pessoas, lideradas por Zumbi dos Palmares. Possuía, além de casas, oficinas, olarias, templos religiosos, plantações e um conselho político e de defesa.

Os quilombos eram sociedades organizadas que plantavam o que precisavam comer, tinham hierarquia e eram livres para manifestar suas crenças, sua cultura.

Somente com a Constituição de 1988, o governo brasileiro reconheceu a legitimidade das comunidades remanescentes de quilombo e abriu o espaço legal para que elas lutassem pela posse coletiva de suas terras. Atualmente, existem cerca de 1436 comunidades remanescentes de quilombos, que abrigam cerca de 1 milhão e 300 mil brasileiros, em dados recentes da Fundação Palmares.

Continua. Leia mais na página do Projeto A Cor da Cultura.

Ementa da Disciplina "Relações Étnico-Raciais na Escola".

Ementa da Disciplina "Relações Étnico-Raciais na Escola".
Universidade Federal Fluminense
Faculdade de Educação
Curso de Pedagogia - Niterói

Se eles soubessem...

Trailer (1':47")



Assista ao filme na íntegra no canal do Observatório Jovem no UFFtube

O documentário revela experiência escolar que aponta para a valorização da cultura negra.

O vídeo-documentário Se eles soubessem ... é uma parceria entre o Programa de Ações Afirmativas, Observatório da Juventude, ambos da UFMG, e o Observatório Jovem do Rio de Janeiro, sendo este uma das vertentes do Programa Percursos e Horizontes de Formação: ações afirmativas para universitários negros na UFMG.

O vídeo é motivado pela promulgação da lei federal número 10.639/03, que torna obrigatória a inclusão nos currículos oficiais do Ensino Fundamental e do Ensino Médio da História e Cultura Afro – Brasileira. A lei 10.639/03 modifica a LDB 9394/96 no tocante à inserção do estudo da história da África e dos africanos, a luta dos negros no Brasil, a cultura negra brasileira e o negro na formação da sociedade nacional. A referida lei propõe com esta determinação o resgate das contribuições do povo negro nas áreas social, econômica e política pertinentes à História do Brasil.

O objetivo central da produção, portanto, é revelar por meio de imagens e depoimentos de professores/as e alunos/as do Ensino Médio uma experiência escolar que aponta para o reconhecimento e valorização da cultura negra no espaço escolar, buscando perceber as repercussões deste reconhecimento na vida dos/as jovens entrevistados/as. O foco do trabalho está na relação estabelecida entre a escola e a juventude negra e os processos de produção cultural, uma vez que, sabidamente, tais processos nem sempre são conhecidos ou reconhecidos pelas instituições.

O Observatório acompanhou em 6 visitas o trabalho do Colégio Estadual Guadalajara, localizado na cidade de Caxias no Bairro Olavo Bilac. Nesta escola há a 10 anos um núcleo de cultura negra que oferece atividades que incluem dança, música e esportes, que se desenvolvem como atividades extra-escolares não incorporadas ao PPP – Projeto Político Pedagógico. Entrevistamos as animadoras culturais do Núcleo, alunos/as e professoras e filmamos os ensaios do grupo de dança e música.

As falas dos/as entrevistados/as revelam diferentes estratégias criadas nessa instituição na busca da incorporação da cultura negra ao cotidiano escolar. Pode-se perceber também a contribuição desta iniciativa para a construção e o fortalecimento da identidade negra.

Religião, religiosidade e educação


11/07/2011
Por Jurema Nunes e Monica Valéria


O sagrado constitui uma categoria universal da experiência humana. Uma das formas de relacionar-se com essa categoria é através do que conhecemos por religião. A religião e a noção de religiosidade estão entre nós desde sempre. A experiência religiosa, dizem alguns, está na base da ação social e dá-lhe sentido. Religião seria o resultado do que somos capazes de registrar em relação ao inefável e religiosidade seria a disposição do indivíduo para integrar-se às coisas sagradas. Advindo do latim, re-ligare, pode ser um conjunto de práticas e crenças relacionadas com o transcendental, que tem como elementos derivativos os rituais, os códigos e as leis morais. Enquanto algumas encontram a base de tais códigos e leis nos dogmas, outras têm preceitos e interdições.


A religião dá-nos, através dos ritos, mesmo que mínimos, uma noção de segurança - um como se - que transforma o mundo ameaçador e enigmático - como diria Bronislaw Malinowski (1884-1942), um dos fundadores da antropologia social. A religião é um fenômeno social e individual, inextricavelmente ligado a outros aspectos da cultura e da sociedade. Um exemplo disso é o fato de que, embora hoje, em África, as religiões tradicionais representem uma porcentagem menor que segmentos cristãos e islâmicos, ainda persiste a ideia de que “nascer, casar e morrer” tenha que ser permeado por tais tradições de alguma forma.
Continua. Leia o artigo completo na página do Projeto "A Cor da Cultura"


***
Leia também 

Candomblé, afinal o que é?

Jairo SantiagoProfessor Doutor em Comunicação /ECO/UFRJ

Movimento negro

Uma unidade a partir da diversidade



O Brasil é o país que tem a maior população de negros fora da África. Nossos antepassados foram trazidos para cá e além de serem escravizados passaram por um processo de ‘aculturação’, sendo obrigados a deixarem de praticar suas linguagens, religiões e costumes adotando práticas européias.
O movimento negro tem por objetivo não deixar esmorecer e resgatar essa cultura afro- brasileira, rebatendo a rígida desigualdade e a segregação racial que ainda atinge o povo negro.
O movimento negro é uma batalha travada contra o senso comum. Numa sociedade onde se assume que existe preconceito racial é contraditória a afirmação que não há discriminação e racismo pessoal.

Que ele é presente (o racismo), estamos fadigados e experientes no assunto, a questão é: onde o racismo atrapalha, rouba, diminui, fere, interfere, omite, engana, diferencia a população negra que constitui toda uma nação de outra raça? Aí está a chave. Aí entra o movimento negro, numa armadura e resistência coletiva de uma raça presente e atuante.
O Estado é o personagem responsável em garantir a equidade, porém, se esta instituição age de forma ativamente contrária ou de forma omissa em seus serviços de policiamento, saúde pública, geração de renda e trabalho, educação; permitindo que a discriminação racial, ainda nos dias de hoje, faça parte do seu sistema; então temos algo além de problemas sociais, o Estado produz um retrocesso, um apartheid.
Todavia, a nação se estrutura em outros pilares, além do Estado, que envolve escolas, famílias, templos religiosos, universidades e empresas. Essas organizações já deveriam estar desconstituídas de sua hereditariedade e rompidas de suas tradições e dogmas racistas, com representantes de diversas raças e etnias partindo do princípio que a nação brasileira é constituída de múltiplas determinações raciais (Ribeiro, 2005 ). Concluímos que o racismo tem efeito letal e em massa.
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Combate ao racismo institucional precisa avançar no acesso à Justiça, aponta Ibase

26 de maio de 2007. 
O pesquisador Luciano Cerqueira, do Instituto Brasileiro de  Análises Sociais e Econômicas (Ibase), acredita que os avanços já podem ser sentidos no trabalho contra o racismo no Brasil, embora ainda existam muitos desafios. “Avançamos sim. Mas a gente  tem muito que avançar ainda. Acho que a área que a gente precisa mais avançar é a dos direitos humanos e acesso à Justiça, que está muito precária”, diz Cerqueira, um dos coordenadores da Campanha contra o Racismo realizada pelo Ibase.


Alana Gandra Repórter da Agência Brasil

Rio de Janeiro - O Programa de Combate ao Racismo Institucional, criado em 2001, foi avaliado hoje (24) em um seminário no Palácio do Itamaraty, em Brasília. Desenvolvido pelo governo federal, prefeituras, Ministério do Governo Britânico para o Desenvolvimento Internacional (DFID) e Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), ele tem incentivado o combate ao preconceito racial em áreas como saúde e educação.

O pesquisador Luciano Cerqueira, do Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas (Ibase), acredita que os avanços já podem ser sentidos no trabalho contra o racismo no Brasil, embora ainda existam muitos desafios. “Avançamos sim. Mas a gente tem muito que avançar ainda. Acho que a área que a gente precisa mais avançar é a dos direitos humanos e acesso à Justiça, que está muito precária”, diz Cerqueira, um dos coordenadores da Campanha contra o Racismo realizada pelo Ibase.

Segundo ele, o reforço na tratamento da anemia falciforme, mais freqüente na população negra, é um dos exemplo de avanço no combate ao racismo institucional no Brasil. No campo da educação, o pesquisador do Ibase avalia que outro ganho foi a discussão de cotas. O Ibase realiza nos próximos dias 28 e 29 um seminário reservado no Rio de Janeiro, voltado para a discussão do relatório anual da entidade. Será tratada também a questão da discriminação racial.

Instituto defende sensibilização dos agentes de saúde para combate ao racismo

Alana Gandra Repórter da Agência Brasil

Rio de Janeiro - Governos, organismos internacionais e organizações não-governamentais fizeram hoje (24), em Brasília, um balanço do Programa de Combate ao Racismo Institucional (PCRI). Criado em 2001 por diversas entidades, o programa tem incentivado o combate ao preconceito racial em áreas como saúde e educação.

No Rio de Janeiro, o Instituto Ori-Aperê aderiu ao esforço há dois anos e defende a sensibilização de agentes de saúde para que os negros tenha melhor atendimento na rede pública. O Ori-Aperê faz parte também da Rede Nacional de Religiões Afro-Brasileiras e Saúde, que possui cerca de 20 núcleos em vários estados brasileiros.

O coordenador do instituto, psicólogo Marco Antonio Guimarães, busca fazer uma ponte entre as lideranças religiosas afro-brasileiras e os gestores em saúde. Segundo ele, alguns agentes do Programa de Saúde da Família, “muitas vezes por serem de outra tradição religiosa, não serem da tradição de terreiro, discriminavam e não iam às casas de santo". Essa atitude era observada, principalmente, com agentes ligados a tradições evangélicas.

"Houve avanços aí. Como a rede possui núcleos no Brasil todo, ela permite que haja uma divulgação dessas idéias no país. E o fato de se poder fazer essa conscientização e sensibilização dos profissionais de saúde dá uma possibilidade do estado e do município de mudar um pouco a inserção dos agentes”, afirma Guimarães.

Em Recife, a prefeitura tem promovido cursos de capacitação para agentes de saúde sobre a questão racial. De acordo com a gerente operacional de Atenção à Saúde da População Negra do município, Miranete Arruda, o projeto envolve a realização de oficinas, seminários e trabalhos de grupo.

“Eles estão sendo preparados para a compreensão da questão da discriminação racial e do preconceito e o que isso dificulta no acesso das pessoas nas unidades para o atendimento aos problemas de saúde”, conta Miranete. Segundo ela, no início, o programa causou polêmica entre os profissionais de saúde.

“Com o tempo e mais informações, eles passaram a ter uma postura de mais abertura, de menos intolerância, e de compreensão do que pode mudar na atitude dos profissionais de saúde nas unidades de saúde, com relação à população em geral e, especificamente, em relação às pessoas de cor preta ou parda, negras, que vêm ao setor de saúde.”

O Programa de Combate ao Racismo Institucional é uma ação integrada de combate às desigualdades, que reúne o Ministério da Saúde, a Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir), o Ministério Público Federal, o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) e a Organização Pan-Americana de Saúde(Opas), com apoio do Ministério do Governo Britânico para o Desenvolvimento Internacional (DFID).

No Rio, identificação racial foi adotada para notificações de mortalidade materna

Alana Gandra Repórter da Agência Brasil

Rio de Janeiro - Criado em 2001, o Programa de Combate ao Racismo Institucional foi avaliado hoje (24) em um seminário no Palácio do Itamaraty, em Brasília. No Rio de Janeiro, o programa incentivou o governo a adotar o recorte de raça nos levantamentos epidemiológicos no que se refere à morte materna. Segundo o Comitê Estadual de Prevenção da Mortalidade Materna do Rio de Janeiro, 63% das mulheres vitimadas por morte materna no estado em 2003 são negras. A coordenadora-geral da organização não-governamental Criola, Lúcia Maria Xavier de Castro, diz que a identificação racial permite verificar qual é a situação real da mortalidade materna. “Porque a gente denunciava a forma, mas não tinha dados e estudos que comprovassem isso. Hoje, a Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro, através do setor de promoção à saúde, vem encontrando formas de enfrentar o racismo institucional dentro dos programas voltados para a saúde.”

Lúcia explica que há por parte da própria população negra brasileira uma resistência quanto ao quesito raça/cor na documentação. O não reconhecimento da cor, como indicam muitas vezes pesquisas de institutos nacionais, está relacionado com a continuidade do racismo nas instituições, uma vez que o preconceito não é identificados por meio dos indicadores desfavoráveis de atendimento oferecido aos negros.

“As pessoas são tão discriminadas, passam por situações de dissabor, de sofrimento, que na hora elas acham que esse reconhecimento pode trazer para elas mais problemas. Mas ao saber quem é a pessoa que chega às unidades da saúde, que usufrui do Sistema Único de Saúde, que tipo de questões elas enfrentam, é que nós vamos poder lutar por um SUS mais adequado às condições e necessidades dessas pessoas.”

O Programa de Combate ao Racismo Institucional é uma ação integrada de combate às desigualdades, que reúne o Ministério da Saúde, a Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, o Ministério Público Federal, o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) e a Organização Pan-Americana de Saúde(Opas), com apoio do Ministério do Governo Britânico para o Desenvolvimento Internacional (DFID).

 Fonte: Fórum Entidades Nacionais de Direitos Humanos

Projeto Diálogos contra o Racismo - campanha nacional

Vídeo 1

Vídeo 2

Vídeo 3

Vídeo 4

Vídeo 5



Ao povo em forma de arte - Samba enredo

Samba enredo da Escola de Samba Grêmio Recreativo Quilombo (1979). Intérprete: Martinho da Vila



Acesse também a dissertação de mestrado defendida no CPDOC/FGV

O Quilombo de Candeia: Um teto para todos os sambistas
TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO APRESENTADA POR
Ana Cláudia da Cunha

Resumo:
O objetivo desse estudo é refletir sobre como as iniciativas culturais afirmam suas identidades e podem trazer novas proposições e inovações para a área dos projetos culturais e sociais. Para tal, tomei como objeto de estudo o Grêmio Recreativo Arte Negra Escola de Samba Quilombo (GRANES Quilombo). Por meio da análise de como se constituiu a agremiação, no período entre 1975 e 1978, procurei observar como se representava o Quilombo e concluí que, sob os aspectos simbólicos, construiu seus discursos por meio das relações sociais dos seus participantes, que montaram uma ampla rede de sociabilidade na cidade do Rio de Janeiro. O Quilombo estava ligado ao universo das escolas de samba e do samba e operava com discursos que entrecruzavam concepções sobre "arte negra", "cultura brasileira", samba, identidade nacional e tradição.

Relatório Anual das Desigualdades Raciais no Brasil 2009-2010


Entrevista com Prof. Drº Marcelo Paixão (Instituto de Economia/UFRJ) - Relatório Anual das Desigualdades Raciais no Brasil 2009-2010
Acesse o relatório (pdf)

Jorge dos Anjos - Arte Afrobrasileira

Há tempos a arte que representa os costumes dos africanos atravessou o oceano e chegando ao Brasil se transformou numa arte afro-brasileira.


Acesse o vídeo produzido pela Rede Minas