Blog criado na disciplina Relações Etnicorraciais na Escola; Curso de Pedagogia da Universidade Federal Fluminense, em Niterói. O Blog foi uma ação integrada entre as turmas da manhã e da noite do segundo semestre letivo de 2011. No blog você encontrará conteúdos relacionados diretamente às Diretrizes Curriculares da Lei 10.639/2003 e 11.645/2008. O blog é aberto para leitura e comentários. Fotos do mosaico: Paulo Carrano. Foto dos lenços coloridos: Patricia Abreu.
segunda-feira, 2 de dezembro de 2013
segunda-feira, 12 de dezembro de 2011
Livro: A Temática Indígena na Escola

A história brasileira tem cristalizado certas representações equivocadas sobre os índios. Representações tais, distantes da realidade em que vivem e da sua diversidade cultural.
Acreditando na escola como pólo de difusão cultural, esse livro traz uma ótima contribuição para os educadores sobre a temática indígena para ser trabalhada nas escolas. Reúne as contribuições de vinte e dois autores, referentes a mais de duzentos povos indígenas que habitam o Brasil. Promove reflexões diversas sobre os povos indígenas, suas histórias, concepções de mundo, e a importância do respeito mútuo e aceitação das diferenças étnico-culturais.
Arte e Cultura – Turma da manhã – Grupo:
Lusimeire Santos do Nascimento
Maria Betânia da Silva
Samilla Alvim Tibúrcio
Talita Christian
sábado, 10 de dezembro de 2011
Literatura Infantil: Uma aliada para trabalhar as questões raciais na escola
Já havia lido este livro e, recentemente, li novamente para os meus alunos (turma de 1º ano). Foi muito bom levá-lo para escola e poder, através dele, fazer com que os meus alunos refletissem sobre as questões raciais e as diferenças.
Além do livro, levei para escola um vídeo, que achei no you tube, sobre o livro, na verdade é a história, mas em vídeo.
Enquanto educadores, devemos lançar mão de obras como essas, e fazer delas nossas aliadas.
Abaixo segue o link do vídeo.
Vale a pena assisti-lo
quarta-feira, 7 de dezembro de 2011
Estado do Rio de Janeiro terá Plano Estadual de Promoção da Igualdade Racial
Funcionária diz ter sido discriminada em colégio de SP por cabelo crespo
A estudante de pedagogia Ester Elisa da Silva Cesario, de 19 anos, afirma que foi discriminada no colégio em que trabalha como estagiária no Brooklin, na Zona Sul de São Paulo, por conta do seu cabelo crespo. O caso, de acordo com Ester, aconteceu em novembro. O colégio diz que a situação é um mal-entendido. A estudante prestou queixa na Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (Decradi) e seguia trabalhando nesta quarta-feira (7).
Segundo Ester, a diretora do Colégio Internacional Anhembi-Morumbi disse a ela que cabelos crespos não representavam a escola. "Ela me falou que o padrão é cabelo liso, que ela teve que alisar para manter a 'boa aparência'." A estudante fazia visitas monitoradas ao colégio com pais. A história foi publicada pelo jornal Folha de S.Paulo nesta quarta.
Em nota, a direção da escola afirma que ela "e o restante da equipe de funcionários com a qual nossa estagiária trabalha nunca teve a intenção de causar qualquer constrangimento".
Para Cleyton Wenceslau Borges, advogado de Ester e membro da União de Núcleos de Educação Popular para Negras/os e Classe Trabalhadora (UNEafro), o racismo acontece tanto de formas diretas como indiretas. "Não há dúvidas de que quando é feita uma associação do cabelo crespo em contraponto ao cabelo liso, isso quer dizer que o cabelo liso é o correto, o bonito, o padrão", afirmou.
De acordo com Borges, uma investigação criminal já está em andamento.Também serão exigidas indenizações nas áreas trabalhista e cível por ofensa à dignidade e à honra como mulher negra, além de abalo psicológico.
Fonte: G1
CAPOEIRA
- Você sabia que a capoeira, que é popularmente conhecida como uma modalidade de dança e luta, é um esporte reconhecido mundialmente ?
- A capoeira é um esporte que sofre modificações de acordo com cada região brasileira.
- Atualmente, ela é praticada por todas as faixas etárias.
- Pessoas com deficiências físicas e/ou mentais são beneficiadas com a prática da capoeira.
RESPONSÁVEIS: ( Turma da noite)
Fátima S. de Andrade
Luciene Costa
Mônica Belísio
domingo, 4 de dezembro de 2011
Acesso dos negros nas Universidades
Dados do IBGE apontam que número de brancos no ensino superior é duas vezes maior
Da Agência Brasil
Para professor da UnB, a velocidade lenta do impacto das políticas públicas ocorre em função dos anos de atraso do país para reconhecer diferenças de oportunidades dadas a negros e brancos
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Apesar das políticas afirmativas adotadas pelas universidades brasileiras para ampliar o acesso da população negra ao ensino superior, 123 anos depois da Abolição da Escravatura permanece o hiato em relação à população branca. Os dados mais recentes do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) apontam que entre 1997 e 2007 o acesso dos negros ao ensino superior cresceu, mas continua sendo metade do verificado entre os brancos.
Entre os jovens brancos com mais de 16 anos, 5,6% frequentavam o ensino superior em 2007, enquanto entre os negros esse percentual era 2,8%. Em 1997, esses patamares estavam em 3% e 1%, respectivamente.
Para o professor Nelson Inocêncio da Silva, coordenador do Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros da UnB (Universidade de Brasília), a velocidade lenta do impacto das políticas públicas ocorre em função dos anos de atraso do país para reconhecer as diferenças de oportunidades dadas a negros e brancos.
- O Estado brasileiro se absteve por muito tempo e ficou ausente no que diz respeito à questão das políticas públicas para essa população. Falamos de 1888, final do século 19, e terminamos a primeira década do século 21 com problemas seríssimos no que diz respeito à população negra.
A UnB foi a primeira federal a implantar o sistema de cotas para negros no vestibular e 4 mil alunos já ingressaram na universidade por esse mecanismo. Silva acredita que esses números devem ter avançado desde 2007, já que atualmente cerca de 100 instituições públicas de ensino superior adotam algum tipo de política afirmativa. O principal benefício que as cotas terão no futuro, na avaliação dele, é aumentar a representação dos negros em cargos importantes.
- Quando falamos de universidades federais, não há dúvida de que elas formam pessoas que cedo ou tarde vão participar da classe dirigente deste país. Então sabemos que, pelo menos com essa formação, o aluno terá no futuro uma situação diferenciada.
De acordo com o último Censo da Educação Superior, 10% dos ingressos de novos alunos nas universidades públicas ocorreram por meio de sistemas de reserva de vagas. Os dados apontam que 69% usaram como critério o fato de o candidato ter ou não estudado em escola pública. Um quarto das reservas de vagas foi preenchido a partir de critérios etnorraciais. Desde a sua implantação na UnB em 2004, o sistema de cotas tem sido muito criticado por ser considerado injusto com o restante dos estudantes não negros. Silva ressalta que ele precisa ser analisado do ponto de vista histórico.
- Não é possível a gente querer entender a partir do aqui e agora, é preciso voltar ao século 19, às políticas do Estado brasileiro de favorecimento das populações europeias para entender porque afinal de contas temos que desenvolver uma política de inclusão da população negra. Essas políticas atuais não são fruto de nenhum devaneio, elas são necessidades que foram esquecidas.
Em outras etapas do ensino também há desigualdade entre negros e brancos. O último censo do IBGE aponta que, entre os 14 milhões de brasileiros com mais de 15 anos que são analfabetos, 30% são brancos e 70% são pretos ou pardos.
A luta dos indígenas Guaranis em Camboinhas – Niterói/RJ
A aldeia dos índios Tupis-Guranis originários de Parati-Mirim foi incendiada criminosamente para tentar forçar a saída deles da pequena área que ocupam no final da praia da Camboinhas em Niterói-RJ.
Artistas se uniram para chamar a atenção para o problema, já que além do incêndio os índios já sofriam ameaças constantes por estarem ali. Alguns poucos homens e muitas mulheres e crianças moram lá, são um povo humilde, pacífico e acolhedor que não incomodam a ninguém e vivem de vender artesanato, além de se tornarem rapidamente uma grande atração turística do local. Porém interesses escusos querem tirar esse belo povo que muito tem a nos ensinar dessa área que é repleta de sambaquis de muitos povos indígenas que viveram em Niterói por séculos antes dos portugueses chegarem. (Fonte: Jornal O Fluminense - 25/07/2008)
O vídeo mostra como ficou a aldeia dos índios Guaranis em Camboinhas depois do incêndio sofrido pela tribo, em 18 de julho de 2008. E a sua reconstrução e reinauguração, em 13 de setembro de 2008, com o apoio de pessoas e entidades que lutam em defesa da preservação da cultura indígena brasileira.
http://www.youtube.com/watch?v=zrxSCkJo7aI&feature=related
http://www.youtube.com/watch?v=Rr2XcQOpr_c
Arte e cultura - Turma da manhã - grupo:
Lusimeire Santos Do Nascimento
Maria Betânia da Silva
Samilla Alvim Tibúrcio
Talita Christian
Educação e etnia
Educação e etnia
Acesso à escola melhora, mas desigualdades ainda são grandes
Em todas as etnias da população brasileira, é possível observar que o acesso à Educação tem melhorado. O abismo entre negros e brancos com 15 anos ou mais, no entanto, ainda é grande. A pesquisa Características Étnico-raciais da População, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostra que, enquanto 23% dos brancos estudaram 12 anos ou mais, apenas 9% dos negros alcançaram o mesmo tempo de escolaridade (veja o gráfico). "Como o Ensino Fundamental é obrigatório, o acesso a essa etapa é garantido a todos. No Ensino Médio e no Superior, ainda se vê um gargalo vinculado à cor dos estudantes", diz o coordenador da pesquisa, José Luís Petruccelli.
O porquê da escravidão dos africanos no Brasil
A matéria objetiva auxiliar professores a trabalharem a questão em sala de aula.
Leia a matéria no link abaixo:
http://revistaescola.abril.com.br/fundamental-2/africanos-foram-escravizados-brasil-646493.shtml
Pesquisa do IBGE
O IBGE - Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística corrobora aquilo que discutimos em nossas aulas de Relações Étnico Racias, por meio de uma pesquisa realizada sobre a influência da cor ou da raça na vida. Nesta pesquisa fica muito claro que a cor influencia na vida das pessoas.
Veja no link a pesquisa na íntegra:
http://www.ibge.gov.br/home/presidencia/noticias/noticia_visualiza.php?id_noticia=1933&id_pagina=1
quarta-feira, 30 de novembro de 2011
Racismo na Mídia
Mobilização denuncia racismo na mídia
Por Jamila Venturini em 27/11/2007 na edição 461
Na terça-feira (20/11), foram realizadas em quase todas as grandes cidades do país manifestações vinculadas ao Dia da Consciência Negra, data que marca a luta e resistência da população negra no Brasil. Na ocasião, membros de diversos movimentos lembraram o papel da mídia no reconhecimento da cultura e das lutas dos negros no país.
Segundo o IBGE, aproximadamente metade da população brasileira é negra, mas a invisibilidade da população afrodescendente ainda é a regra nos meios de comunicação. Por isso, líderes do movimento reivindicam o fim da disseminação do racismo na mídia e o acesso dos negros e negras à produção e difusão de informação.
"A mídia ainda trata o negro no sistema escravocrata", avalia Mariângela Frasão, do Fórum de Mulheres Negras do Estado de São Paulo. "O negro permanece sendo associado a uma imagem de subserviência, a uma imagem do negro com uma atitude menor, do negro que não pensa, do negro que não tem ideologia".
Estatuto da Igualdade Racial
Mara Cardoso de Lima, do movimento Hip Hop, identifica nos últimos anos uma tentativa de inserção dos negros na mídia, principalmente nos meios televisivos, mas afirma que "os personagens negros cumprem um papel de mostrar que é possível vencer na vida, ainda que a imensa maioria continue na miséria e com condições de trabalho precárias".
"Os grandes jornais não têm mostrado de forma democrática os problemas e a luta do povo negro no Brasil", aponta Julião Vieira, da União de Negros pela Igualdade (Unegro). Ele cita, por exemplo, a ausência de matérias que retratem as dificuldades da juventude negra, a grande vítima de assassinatos. Vieira também aponta outra face da exclusão: "O movimento tem profissionais formados que poderiam pautar estas questões, mas estes não conseguem ingressar na grande imprensa." Pesquisas recentes confirmam: nas televisões, apenas 5,5% de apresentadores e profissionais que aparecem no vídeo são negros.
Éber Fagundes, coordenador da sede nacional do Educafro, compreende como central a ausência de negros e negras como protagonistas na cultura e na produção jornalística. Segundo ele, a posição do movimento é de que para se avançar na representação do negro na mídia é necessária a aprovação do Estatuto da Igualdade Racial, reivindicação histórica do movimento negro e uma das principais pautas da 4ª Marcha da Consciência Negra, que ocorreu neste dia 20 de novembro em diversas cidades brasileiras. "Com a aprovação do Estatuto, nós teremos um percentual representativo de negros no mercado de trabalho e, conseqüentemente, aumentaremos sua representação na mídia."
Distribuição democrática de concessões
Além da representação nos meios de comunicação já estabelecidos, os movimentos identificam cada vez mais a necessidade de se inserirem na luta pela democratização da comunicação. Segundo Vieira, no último Congresso da Unegro o tema foi discutido com mais de cinco mil militantes. A partir de agora, o movimento pretende se aliar aos demais movimentos sociais para acompanhar e participar de forma ativa da Conferência Nacional de Comunicações, de modo a torná-la mais democrática.
Mariângela, que também faz parte da Coordenação Nacional de Entidades Negras, destaca ainda outras iniciativas, como a elaboração de denúncias e documentos sobre violações dos direitos dos negros. "A mídia tem uma ideologia branca e é através da luta que nós vamos vencer essa postura."
Mara concorda e aponta que não há interesse das emissoras de televisão em retratar o negro de forma a garantir sua libertação, já que a maioria das concessões é detida por brancos ricos. "Eles podem colocar algumas representações negras, mas isso é o máximo que irão conceder." Ela defende a distribuição democrática de concessões de rádio e televisão para que o movimento negro possa também ter acesso aos meios de comunicação e expressar suas lutas históricas e seus pontos de vista.
quinta-feira, 24 de novembro de 2011
Pérolas negras: Brasil e África ligados pela arte
| Roberto Conduru |
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| Na mostra Perles de Liberté, realizada na Bélgica, foram apresentadas joias de crioulas usadas na Bahia |
Na mostra Perles de Liberté, Conduru criou um ambiente sensorial, com músicas de Clementina de Jesus e Mart’nália, entre outras cantoras, cheiro de folhas de eucalipto espalhadas pelo ambiente em que ficaram expostas joias de crioulas usadas na Bahia e fios de contas para cultos aos orixás, além de fotografias. “Com essa diversidade, pretendi mostrar como as tradições africanas estão sempre muito presentes, como as ligações com a África são inerentes e fundamentais para a compreensão da cultura brasileira”, explica Conduru.
Homenageado na mostra Incorporations, o fotógrafo e escultor Mário Cravo Neto foi um dos artistas contemporâneos estudados pelo pesquisador. Ao conhecer o acervo do Museu Nacional de Antropologia de Angola, em uma viagem a Luanda, capital de Angola, em 1990, quando produzia fotos para o livro Angola e a Expressão da sua Cultura Material, teve seu interesse despertado para a riqueza artística dos terreiros. É a partir de 1998 que Cravo Neto se aproxima do culto afrobaiano e, por sete anos consecutivos, se dedica a fotografar e gravar em vídeo a vida e os rituais do culto, em especial do terreiro Ilé Àse Ópó Aganju.
Outro participante da mesma mostra, o artista plástico Martinho Patrício utiliza o tecido como suporte para seus trabalhos, evocando um diálogo que aborda conceitos relativos à religiosidade – sagrado e profano – em suas obras neoconcretas. Com exposições individuais no Observatório Cultural Malakoff, em Recife, em 2005; no Museu de Arte Moderna Aloísio Magalhães também em Recife, em 2002; e no Espaço Cultural Sérgio Porto, no Rio de Janeiro, em 2000; o artista também tem seus trabalhos como parte do acervo do Museu de Arte Moderna da Bahia, em Salvador. De acordo com o pesquisador, suas obras dialogam com a cultura popular, com forte acento afro.
Para exemplificar um pouco mais a relação intrínseca entre a cultura brasileira e a africana, o pesquisador cita o movimento modernista, no qual alguns artistas buscavam referências africanas, buscando, segundo explica Conduru, uma valorização da cultura afro. “Tarsila do Amaral, Di Cavalcanti, Rubem Valentim e Heitor dos Prazeres são exemplos de artistas que representaram tipos e elementos da cultura afrobrasileira”, descreve.
“Ao conectar arte e cultura material às questões da africanidade e da afrobrasilidade, não se pretende delinear um estilo artístico afrobrasileiro, um movimento artístico produzido unicamente por afrodescendentes ou apenas representativo da cultura afrobrasileira. Importa mais configurar um campo composto por objetos e práticas bem diversificados, mas, de algum modo, vinculado a essas questões, a partir do qual tensões artísticas, estéticas, pedagógicas, culturais e sociais podem ser problematizadas historicamente”, explica.
Mesmo com a identidade artística nacional entrelaçada a essa influência africana, Conduru percebe um silenciamento sobre o assunto. “Não deixa de ser flagrante o silêncio quase completo que paira sobre as influências que as artes e culturas africanas têm na formação cultural e na arte brasileiras, seja antes, durante ou depois do modernismo. A inexistência de livros e exposições históricas agrava esta situação; há exceções de alguns museus, como o AfroBrasil, inaugurado em 2003, na cidade de São Paulo”, conta. Situação que Conduru retrata de forma poética: “Por isso, me refiro a cada produção artística que nasce desta condição social marginalizada como uma pérola, que surge da presença estranha de um grão de areia no interior da concha.” Para o pesquisador, cada pérola significa, como num fio de contas, a diversidade e a vastidão artística que formam a riqueza cultural brasileira.
Conduru ressalta que há movimentos caminhando para romper este silêncio. “Com certeza, existem e crescem continuamente estudos, publicações e exposições sobre africanidade e sobre afrobrasilidade em relação a práticas e obras artísticas, estéticas e culturais brasileiras. Mas ainda são iniciativas esparsas, desvinculadas, pouco percebidas ou pouco valorizadas.” Com seu trabalho, o pesquisador tem atuado muito para quebrar essas barreiras. O assunto também é tema de seu livro Arte Afrobrasileira, que tem sido cada vez mais utilizado nas bibliografias dos cursos de arte. “É um fato que transcende a questão de orgulho pessoal, mas que denota a valorização da arte afrobrasileira”, conclui.
Fonte: Faperj
segunda-feira, 21 de novembro de 2011
O negro na Escola
Vilena Souza
Componente do Grupo Memória/História (noite)
Pelo que sabemos, ao longo dos últimos anos, houve uma crescente auto-afirmação dos afrodescendentes, buscando iniciativas, entre outras coisas da afroeducação. Contudo, isso só está sendo possível, pelas pressões que o movimento negro vem fazendo ao longo de anos de lutas para que suas reivindicações fossem atendidas. Mesmo com os progressos feitos até aqui, ainda há muito o que fazer nesse campo.
Também sabemos que para um amplo estudo da realidade africana que vai desde sua culinária, modo de se vestir, até sua religião, dependeria de uma interconexão de várias disciplinas e de campos de conhecimento como História, Geografia, a Sociologia, Ciência Política e da Antropologia, que juntas traçariam uma análise da passagem e contribuição do negro pelo mundo.
A primeira Lei assinada na gestão do então presidente Luis Inácio Lula da Silva, que torna obrigatório o ensino de História e da Cultura Afro-Brasileira na Educação Básica, foi a Lei 10.639 (de 9/1/2003), da Constituição Federal nos seus Art.5,1, Art. 210, Art.206,1, p 1 do Art. 242, Art.215 e Art.216, bem como nos Art. 26, 26A e 79B na Lei 9.394/96 de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Ainda fazendo referência a lei citada, determina que o dia 20 de Novembro como dia Nacional da Consciência Negra, no calendário escolar
Há também o Decreto n 4.886(20 /11/2003), que estabelece a Política Nacional de Promoção da Igualdade Racial (PNPIR). Com base nesses dois instrumentos jurídicos, estamos destacando a pluralidade racial no Brasil no que diz respeito ao processo educativo que está referendada como prioridade na população negra brasileira como destaca Petronilha (0215/SOS).
Para reeducar as relações étnico-racias, no Brasil, é necessário fazer emergir as dores e medos que têm sidos gerados. È preciso entender que o sucesso de uns tem o preço da marginalização e da desigualdade impostas a outros. E então decidir que sociedade queremos construir daqui para frente.
È importante também lembrar o que o movimento negro busca, não está só ligado a questões dentro da escola como reconhecimento de sua História e Cultura, mas também de como expressar sua visão de mundo, manifestação individual e ou coletiva de seus pensamentos. Reconhecimento este que a colonização e História tentaram anular, já que o negro até então era educado para o mercado de trabalho e passível a ordens. Forma essa de reconhecimento que através do Decreto do governo por meio de Políticas de Ações Afirmativas, visa reparar erros do passado, e também combater o racismo que ainda existe em nossa sociedade, mesmo que de forma disfarçada.
Por fim a questão do negro na escola nos vem mostrar o quanto se tem que discutir isso plenamente, já que precisamos reconhecer no continente africano um objeto de pesquisa a ser devastado na sua imensidão, entender tudo que aconteceu desde o início dos tempos até aqui, explicar o porquê dos acontecimentos e trazer para sala de aula, situações que problematizem a situação do negro na sociedade brasileira.
Referencia Bibliográfica
ABREU, Martha; MATTOS, Hebe. Em torno das Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação das Relações Étnico-Raciais e para o Ensino de História e Cultura Afro-Brasileira e africana: uma conversa com historiadores. Estudos Históricos, v.21, n. 41, p. 5-20, jan/jun. 2008.
BRASIL. Lei nº 10.639 de 09 de janeiro de 2003. Altera a Lei no 9.394, de 20 de dezembro de 1996, que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional, para incluir no currículo oficial da Rede de Ensino a obrigatoriedade da temática "História e Cultura Afro-Brasileira", e dá outras providências. Disponível em:
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2003/l10.639.htm> Acesso em 20 de nov. de 2011.
BRASIL. Resolução de nº1, de 17 de junho de 2004. Institui Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação das Relações Étnico-Raciais e para o Ensino de História e Cultura Afro-Brasileira e Africana. Disponível em: http://portal.mec.gov.br/cne/arquivos/pdf/res012004.pdf> Acesso em 20 de nov. de 2011.
A luta pela educação
A escravidão em nosso país que durou por quase quatro séculos, além de ter
causado muito sofrimento ao povo negro, fez com que ele ficasse à margem da nossa sociedade. Não foi permitido que os escravos tivessem acesso à educação apesar desse direito ser reconhecido na Constituição de 1824, com a obrigatoriedade do ensino do 1°grau.
Com o fim da escravidão, o direito à educação ainda continuou sendo negado, como uma forma de manter as desigualdades raciais e a superioridade das camadas dominantes sobre os excluídos do sistema educacional, ou seja, a manutenção do status quo.
Menos perversa que há algumas décadas quando o acesso de negros
à educação era impedimento legal e posteriormente factual pela falta de
expansão do sistema de ensino público, ainda em nossos dias constata- se, por
meio de estudos quantitativos/ qualitativos, que se em alguns níveis de ensino,
a igualdade racial foi alcançada por meio da presença equiparável de negros e
brancos, o mesmo não ocorre à medida que os níveis de ensino se elevam e as
profissões a eles vinculadas gozam de maior prestígio e com possibilidade de
remuneração mais alta. ( OLIVEIRA: SACRAMENTO, 2010)
O movimento negro tem lutado contra as desigualdades raciais, a fim de garantir o acesso e a permanência dos negros na educação escolar e a igualdade racial entre negros e brancos.
O Estado se viu obrigado a construir políticas públicas que garantissem os
direitos negados a essa população. A implementação da Lei n° 10.639/ 03 e suas
diretrizes, torna obrigatório o ensino nas escolas da verdadeira história desse povo, a valorização da diversidade étnicorracial e a sua importante participação, enquanto cidadão ativo, na construção do nosso país.
Referência:
OLIVEIRA, Iolanda; SACRAMENTO, Mônica. Raça, currículo e práxis pedagógica:
relações raciais e educação – o diálogo teoria/prática na formação de profissionais
do magistério. In: CADERNOS PENESB, Faculdade de Educação, n. 12, 2010,
205-284.
Dia da Consciência Negra é visto como reflexão contra o preconceito
“Queremos que as pessoas se sensibilizem com o preconceito. Quando presenciarem uma situação lute contra ela e não pule fora, como acontece. De nada adianta o branco fazer parte das tradições negras, se no dia a dia ele não se sensibiliza com as coisas que acontecem a sua volta.Levantar a bandeira contra o preconceito tem que acontecer todos os dias”, disse o coordenador.
Zulu acredita que todo o preconceito faz parte de um círculo vicioso, desde a família, educação e emprego e, para melhorar, basta uma porta se abrir. “Tudo está interligado. A educação no país hoje é uma situação que ninguém quer tomar conta. A família joga a responsabilidade da educação dos filhos para a escola, que repassa para o conselho tutelar e que joga para a família de novo. Se tivéssemos mais negros nas escolas, teríamos alunos nos bancos das faculdades e, consequentemente, mais no mercado de trabalho”, disse Zulu, que apoia o sistemas de cota para negros nas universidades, pois considera com uma porta que se abre.
O coordenador da CUFA também avalia que uma grande ajuda no combate ao preconceito são as ações na televisão, como novelas, documentários e também os investimentos das prefeituras na festa do congado.
“O ser humano faz o que vê e acaba sendo influenciado de forma positiva e acaba também conhecendo mais sobre a nossa religião, cultura e tradições. Os investimentos também nos ajudam a manter nossa tradição. Hoje, a festa do congado em Uberlândia, no Triângulo Mineiro, e Catalão, no estado de Goiás, são enormes.Se não fossem esses investimentos, elas seriam restritas à comunidade negra”, acrescentou.
Para comemorar a data em Araguari, durante toda essa semana foram realizados vários eventos com palestras, apresentações teatrais e filmes, desfiles, missa afro e, para encerrar, foi realizado na Casa da Cultura o Prêmio Destaque Negro, onde 14 pessoas foram homenageadas. “As homenagens foram referentes às personalidades que marcaram este ano em todas as áreas, desde segurança pública à dança, música e religião”, concluiu Zulu.
UberlândiaO último dia de comemoração da data em Uberlândia será realizada no próximo domingo (27), das 9h às 20h30, no Centro Cultural Estrela Guia, o Encontro da Diversidade – Mutirão da Cultura com palestras, apresentações artísticas, serviços a comunidade, cinema e shows com as bandas Serelepe e Skema Novo.
Fonte: http://g1.globo.com/minas-gerais/triangulo-mineiro/noticia/2011/11/dia-da-consciencia-negra-e-visto-como-reflexao-contra-o-preconceito.html
'Aprendi a ler aos 15', diz professor de comunidade quilombola do CE
Francisco Haroldo cresceu na comunidade Alto Alegre, que, segundo o relato de antigos moradores como Tereza de Jesus da Silva, surgiu com a fuga do escravo Negro Cazuza de um navio ancorado na Barra do Ceará, em Fortaleza. O escravo se fixou em Alto Alegre e as festas dos moradores, no alto de uma serra, rederam o nome da comunidade. Na comunidade, segundo ele, teve oportunidade de viajar e lutar ''pelos direitos dos negros''.
Depois que a mãe abandonou a família no sertão central do Ceará, o pai de Silva e os dois filhos maiores se mudaram para Horizonte, município da Região Metropolitana de Fortaleza (RMF). Como a escola era distante, Silva só passou a frequentar as aulas quando podia ir por conta própria. Enquanto fazia o supletivo do Ensino Médio, afirma, já começou a ser professor de alfabetização, em Horizonte.
Daí não parou. Haroldo ingressou na Faculdade de Educação, Ciências e Letras do Sertão Central, da Universidade Federal do Ceará (Uece). "Fiz Ciências da Natureza e Matemática. Me formei e comecei a melhorar de vida".Se hoje a casa é grande, de cimento e tijolo, "do jeito que sempre sonhou", foi também graças aos esforços nos estudos, segundo o professor. "Quando eu me casei, minha casinha era de taipa. Só tinha uma televisão pequena e uma bicicletinha para ir trabalhar todo dia", disse. No que depender dele, os filhos também vão para a faculdade.
Disciplina de afrodescendênciaSilva diz que boa parte da comunidade se recusa a lutar pelas melhorias. "O grande problema é a aceitação da comunidade em ser quilombola'', diz. Por isso, ele ressalta como de grande importância o fato de haver em todas as escolas de Horizonte a disciplina de afrodescendência, desde a pré-escola até o 9º ano. "O nosso povo tem melhorado bastante com essa influência da escola. Antes ninguém dizia que era negro, dizia que era moreno", afirmou.
Aos filhos, o professor diz que sempre fala que em vez de ter vergonha, deve-se ter orgulho. "Negro é uma cor linda". O filho do meio, de 17 anos, já acompanha os passos do pai e já representa a comunidade em lugares, onde Haroldo não pode ir. "Ele foi e representou muito bem".
BonecasNa mesma comunidade quilombola de Alto Alegre, um grupo de sete mulheres se reúne para fazer bonecas de pano negras. As mulheres receberam R$ 1 mil do Unicef para iniciarem o negócio, que acabou não dando tanto lucro, mas prazer para quem faz.
A coordenadora do grupo "bonequeiras da Arqua", Aldeniza da Silva, 37 anos, conta que há dois anos, eram 25 mulheres, que foram desistindo, porque não conseguiram muito retorno financeiro. "A gente está fazendo pelo prazer de fazer as bonecas. Eu ficava em casa assistindo televisão sozinha. Fui procurar o que fazer e veio isso para mim. Eu não queria ser líder nem nada", conta.
Mas as que ficaram, estão pelo prazer de construir algo e ainda conscientizam as crianças do orgulho de ser negro. "Ainda existe o preconceito. É importante para incentivarmos as criancinhas de que não tem nada de menor em ser negro. Ao contrário".
Além de bonecas, o grupo costura almofadas e mochilas com rostinhos de bonecas negras. Aleniza diz não saber quantas faz por mês, mas diz que o lucro dá para comprar o material. Ela recorda que a mãe costumava fazer bonecas de sabugo de milho. "As vezes quando eu estou fazendo eu fico imaginando minha mãe. Estou confeccionando a boneca na máquina. É um orgulho", afirma.
Fonte: http://g1.globo.com/ceara/noticia/2011/11/aprendi-ler-aos-15-diz-professor-de-comunidade-quilombola-do-ce.html
domingo, 20 de novembro de 2011
IÊ, VIVA MEU MESTRE!
A história da Capoeira Angola a partir de reflexões de crianças angoleiras.
Cedido por: Itinerante Filmes
Titulo do vídeo: IÊ, VIVA MEU MESTRE!
País:Brasil
Duração: 00:26:00
Diretor: Manoela Ziggiatti, Selma Perez e Valesca Dios
Sinopse
A partir das reflexões de crianças angoleiras, nasce um precioso relato sobre a história da Capoeira Angola, permeado por situações que tangem questões como racismo, gênero, identidade e ancestralidade. Este documentário é resultado de uma parceria entre a Itinerante Filmes e o Grupo Nzinga de Capoeira Angola. Foi produzido inicialmente como complemento da Tese de Doutorado de Rosângela Costa Araújo (Mestra Janja), apresentada na Faculdade de Educação – Universidade de São Paulo, em 2004.
Fonte: Televisión Latinoamericana
sábado, 19 de novembro de 2011
Crianças negras atrasadas na escola são o dobro das brancas
O fator socioeconômico geralmente é o mais usado para justificar o atraso escolar dos estudantes negros. Isso porque a condição social do aluno tem grande impacto na aprendizagem e a maioria da população de baixa renda do país é negra. Mesmo quando são considerados alunos de um mesmo nível econômico, os não negros têm desempenho superior aos negros.
É o que aponta um levantamento feito pelo economista Ernesto Faria, do Portal Estudando Educação. Comparando as notas de Matemática e Português da Prova Brasil de 2007, alunos de uma mesma faixa de renda e cor da pele diferentes também têm notas desiguais. Entre os 25% de estudantes mais pobres do 5° ano do ensino fundamental, a nota dos brancos é, em média, oito pontos superior nas duas disciplinas. Entre os 25% mais ricos, a distância é ainda maior: os alunos brancos atingem 24 pontos a mais em Português e 25 a mais em Matemática.
Para André Lázaro, especialista na temática de diversidade em educação, uma das explicações para esse resultado é que, em geral, os alunos negros frequentam escolas com pior infraestrutura em comparação aos não negros. Essa situação foi revelada pelo Relatório das Desigualdades Raciais, lançado este ano pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Em todas as etapas de ensino, os negros enfrentam piores condições que os brancos.
Enquanto 9,6% dos alunos brancos do 9° ano do ensino fundamental frequentam escolas com nenhuma adequação, entre os negros, o índice é de 12,9%. Já no 5° ano, 27,9% dos brancos frequentam escolas com estrutura exemplar ¿ entre os negros, o patamar é de 22%.
"Além da questão estrutural das escolas, não tenho dúvida de que a dimensão cultural é fortemente explicativa do resultado escolar. O racismo tem um impacto muito forte na educação. Os modelos e exemplos educacionais dos livros didáticos, por exemplo, ignoram a dimensão da cultura negra e com isso você tem uma escola em que o negro não se vê", destaca Lázaro, que foi secretário de Diversidade do Ministério da Educação (MEC) e hoje é consultor da Organização dos Estados Ibero Americanos (OEI).
Um dos autores do Relatório das Desigualdades, o professor Marcelo Paixão avalia que a discriminação existente no ambiente escolar acaba por agravar as diferenças entre negros e brancos. "O espaço escolar deveria ser de formação de cidadania - quando isso não é feito de maneira crítica ele se torna um instrumento de perpetuação das assimetrias", diz.
Para a diretora de Educação no Campo e Diversidade do MEC, Vanessa Faria, tais resultados são reflexo da própria dificuldade da sociedade em reconhecer que existe racismo no país - situação que se repete no ambiente escolar. Em questionário aplicado em 2007 aos estudantes que participaram do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), menos de 3% se consideravam racistas, mas 60% disseram já ter presenciado uma situação de discriminação pela cor da pele e 30% afirmaram ter parentes racistas.
"A escola reflete o que acontece na sociedade. Por anos acreditou-se no Brasil que não existia o racismo, e fica difícil superar um problema quando ele é negado", ressalta Vanessa. Para ela, a diferença de escolarização entre negros e brancos tem diminuído nos últimos anos, e a escola está mais aberta para o debate. "Nunca se falou tanto na questão da igualdade racial, mas este é um processo em construção. Os anos de estudo da população negra crescem em ritmo maior do que entre os brancos", afirmou.
Fonte: Agência Brasil
Cultura afro-brasileira é tema aqui no ZoaSom
Zoasom - pgm 68 - tema: Cultura Afro / Convidados: Paulo Carrano - Professor da Universidade Federal Fluminense e um dos fundadores do Pontão do Jongo e Cridemar Aquino - ator da Companhia teatral, Cia dos Comuns / Músico: Lucio Sanfilippo
Danças, ritmos, sabores, palavras e religiões. São muitos os legados que os negros vindos da África deixaram para nós. Apesar disso, o preconceito ainda é uma realidade quando o tema é a cultura afro-brasileira.
Pensando nisso e para comemorar o Dia da Consciência Negra, o Zoasom dessa semana vai discutir como romper essa barreira de preconceito e falar sobre essa herança cultural tão presente no nosso dia-a-dia.
Como o negro é representado em nossa sociedade? Quais os avanços no combate ao preconceito? O que ainda é preciso mudar?
Essas e outras questões você encontra no Zoasom da próxima quinta-feira, 17 de novembro, a partir das 17h.
E, lembre-se, você pode e deve participar do nosso programa. Para isso, venha para o auditório da Rádio MEC, na praça da República, 141-A, Centro do Rio. Ou então, mande uma mensagem pelo Twitter @zoasom ou um SMS para 8778 5366.
Nos vemos lá!
Fonte: Zoasom/Rádio MEC