segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Pluralidade Cultural

Sandra Costa
Componente do Grpo Memória/História (noite)

A sociedade brasileira, desde a chegada dos europeus sofreu grandes transformações não apenas na estrutura econômica, mas principalmente na formação de nosso povo. A mistura de raças e das diferentes culturas enriqueceu nosso país de maneira significativa, deixando-o com esta diversidade autêntica. E com o constante fluxo de imigrantes, torna-se fundamental o respeito a toda essa diversidade.

Sabemos, no entanto, que a maioria dos cidadãos brasileiros não tem seus direitos reconhecidos e respeitados; e é lutando por este reconhecimento que a população negra que participou ativamente da construção e formação deste país, e foi a mais prejudicada, em todos os sentidos, se reúne em grupos e movimentos sociais, para ter força e voz perante uma sociedade tão desigual.

Segundo os parâmetros curriculares nacionais, em convergência com os princípios da consciência política e histórica da diversidade, no que diz respeito à pluralidade cultural, entre todas as instâncias é a escola que tem o dever de garantir a todos os sujeitos, a igualdade.

O grande desafio da escola é investir na superação da discriminação e dar a conhecer a riqueza representada pela diversidade etnocultural que compõe a sociedade.

Nesse sentido, a escola deve ser local de diálogo, de aprender a conviver, vivenciando a própria cultura e respeitando as diferentes formas de expressão cultural. Se faz necessário uma reflexão por parte dos educadores, para que os direitos acima citados sejam finalmente delegados a todos, independente de credo, raça ou religião.

Referências Bibliográficas:




ransversais-apresentações. – Brasília: MEC/SEF, 1997. v. 08.1.



BRASIL. Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros Curriculares Nacionais: pluralidade cultural. – Brasília: MEC/SEF, 1997. v. 10.1.
BRASIL.Resolução de nº1, de 17 de junho de 2004.Institui Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação das Relações Étnico-Raciais e para o Ensino de História e Cultura Afro-Brasileira e Africana. Disponível em:


LOPES, Nei. História e Cultura Aficana e Afro- Brasileira. Barsa Planeta,2008.

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

A Abolição da Escravatura

Gláucia L. Drumond Bispo
Componente do Grupo História e Memória (noite)

Treze de maio de 1888. A filha do imperador legitima por meio da Lei Áurea o que já era fato: o fim da escravidão. No entanto, a digníssima Princesa Isabel não assinara a Lei Áurea por um ato bondoso ou humanitário. Como vimos, existiram outros motivos para a consolidação do que não foi mais possível manter.
Para além, de todos os acontecimentos históricos levantados e a mobilização por parte dos intelectuais liberais, houve intensa participação popular (população branca livre; ex-escravos e escravas) a favor da emancipação dos escravos, fazendo com que a revolta dos mesmos ganhasse novas dimensões.
De acordo com COSTA (2008), com a agitação da sociedade e a mobilização em prol do aceleramento do processo emancipatório, forneceu ao escravo uma visão de si fortalecida pelo movimento abolicionista: “ao mesmo tempo que justificava a revolta deles, condenava a repressão” (COSTA, p. 115, 2008).




“Enquanto no parlamento só se discutia e nada se resolve, os pretinhos raspam-se com toda a ligeireza. Os lavradores mal podem segurá-los.” (COSTA apud Revista Ilustrada, ano 12, n. 4666, 30 de setembro de 1887, p. 4).


Outro fator colaborador para a abolição fora as transformações político-econômicas no decorrer do século XIX. Em escala mundial, o trabalho escravo tornou-se insignificante. As relações de produção modificaram-se, exigindo novos meios de relação, conseqüentemente de produção.

Durante a década de 1880, incentivadas pelos abolicionistas escravos passaram a fugir das fazendas, sobretudo nas regiões cafeeiras onde os opositores da abolição encontravam-se concentrados e irredutíveis contra o fim da escravidão.

Com a desorganização do trabalho e mobilização da sociedade muitos fazendeiros passaram a “conceder as cartas de alforria em troca da promessa de que os escravos fariam a colheita” (COSTA, p. 120, 2008), ou então como na maior parte das vezes era obrigado a trabalhar nas fazendas por dois ou cinco anos.


A Igreja que tanto defendia a escravidão como a melhor maneira de salvar as almas dos negros, neste momento muda sua concepção. A escravidão era condenada do ponto de vista econômico e moral. Desta forma, a Igreja passa defender a abolição também.





“Afinal os bispos do império não podem mais conter a sua indignação diante das torturas infringidas aos míseros escravizados!” (COSTA apud Revista Ilustrada, ano 12, n471, 12 de novembro de 1887, p.6).


Antes mesmo da assinatura da Lei Áurea, “a abolição se fazia à margem da lei” (COSTA, p. 124, 2008). Era um fato inevitável.

No dia 3 de maio de 1888, a Princesa Isabel proclamava:
A extinção do elemento servil pelo influxo do sentimento nacional e das liberdades particulares, em honra do Brasil, adiantou-se pacificamente de tal modo que é hoje aspiração aclamada por todas as classes com admiráveis exemplos de abnegação da parte dos proprietários.


Quando o próprio interesse privado vem espontaneamente colaborar para que o Brasil se desfaça da infeliz herança que as necessidades da lavoura haviam mantido, confio que não hesitareis em apagar do direito pátrio a única exceção que nele figura em antagonismo com o espírito cristão e liberal de nossas instituições. (COSTA, p. 124-125, 2008)


Dez dias mais tarde a lei vinha “selar um fato consumado”. Eis então, a Abolição da Escravidão, que muitos lêem como sinônimo de liberdade aos escravizados durante trezentos anos. Mas até os dias atuais, surge o seguinte questionamento: a lei Áurea realmente garantiu a liberdade dos negros escravizados e ainda igualdade de condições para competir na sociedade capitalista brasileira nascente?




Multidão em frente ao Paço . LAGO, Pedro e Bia. (13/05/1888)


Referencia Bibliográfica

BRASIL, Eric; MARQUES, Camila; CAMPOS Thiago at all. Pelos Caminhos do Jongo e do Caxambu: História, Memória e Patrimônio. – Niterói: UFF: NEAMI, 2008.


COSTA, Emília Viotti da. A abolição. 8ºed. ver. e ampl.. – São Paulo: Editora UNESP, 2008.


Foto Princesa Isabel. Disponível em: http://aimagemfeminina.blogspot.com/ Acesso em 02 de out 2011.


LAGO, Pedro; LAGO, Bia. Coleção Princesa Isabel Fotografia do Século XIX. – Rio de Janeiro: Editora Capivara, 2008.

RUGENDAS, João Maurício. Viagem pitoresca através do Brasil. – São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 1979.


Lei dos Sexagenários

Gláucia L. Drumond Bispo
Componente do Grupo História e Memória

A lei do Ventre Livre mobilizou mais uma vez a sociedade brasileira. A abolição mais do que nunca era um questão de progresso e civilização (foi desta forma que a abolição terminara em países desenvolvidos). “A abolição passara a ser uma causa nobre; a defesa da escravidão odiosa” (COSTA, p. 79, 2008). A imprensa neste momento desempenha um papel importante: denuncia a escravidão e mobiliza a sociedade para a questão.


Foi dentro deste contexto que foi elaborado e apresentado o projeto de lei dos Sexagenários ao Ministério Souza Dantas, que visava a abolição dos escravos maiores de 60 anos de pouca valia para o trabalho árduo nas roças. Ainda assim, os proprietários se colocavam contra a qualquer tentativa que tivesse como objetivo a libertação dos escravos, mesmo que parcialmente, como fora a lei da abolição do Tráfico de Escravos e a lei do Ventre Livre.


As eleições para o Ministério Dantas foi desanimador. Um novo Ministério Liberal foi formado propondo mudanças na antiga versão do projeto de lei em prol dos escravos velhos. As transformações no novo projeto afastavam-o do seu principal objetivo na proposta anterior (liberdade aos escravos com idade igual ou superior a 60 anos) e se aproximavam dos interesses escravistas:

"o novo projeto estipulava que os escravos emancipados aos sessenta anos ficavam obrigados a trabalhar mais três anos gratuitamente (ou até atingirem a idade de 65 anos), a título de compensação a seus senhores. Oferecia ainda vantagens aos senhores que se decidissem espontaneamente a emancipar seus escravos, concedendo-lhes indenização" (COSTA, p. 87, 2008).



Com a renúncia do chefe do Gabinete do Ministério recém formado, Saraiva, o imperador convida um político conservador para tomar seu lugar: Barão de Cotegipe. Este transformou o projeto em lei, em 1885.



O coveiro do sexagenário! disse Joaquim Nabuco, no seu primeiro discurso na Câmara dos deputados (3 de julho). Pobres Velhos! O Dantas deu-lhes a oportunidade de morrerem livres. O Saraiva quer enterrá-los algemados (COSTA apud Revista Ilustrada, ano 10, n 413, 30 de julho de 1885, p. 1).


A abolição era inevitável. Era apenas uma questão de tempos uma única preocupação: como seria feita a transição do trabalho escravo para o trabalho livre, sendo esta uma das alternativas constantemente levantadas pelos liberais abolicionistas e rejeitadas pelos conservadores escravistas, uma vez que a experiência com os imigrantes que vieram para o Brasil em meados do século não dera muito certo.




“Se os negreiros do Parlamento não tratarem de libertar já estes pobres escravos de 60 annos, nós, o povo, os libertaremos. (É esta actua attitude do povo fluminense.)” (COSTA apud Revista Ilustrada, ano 10, n 409, 11 de abril de 1885, p. 1).


Referencia Bibliográfica
COSTA, Emília Viotti da. A abolição. 8ºed. ver. e ampl.. – São Paulo: Editora UNESP, 2008.

Lei do Ventre Livre

Gláucia L. Drumond Bispo
Integrante do Grupo História e Memória (noite)

Em meados do século XIX os primeiros trilhos ferroviários foram construídos e várias indústrias nascem na época. É o progresso chegando ao país, se faziam necessárias mudanças que permitissem a entrada e permanência do progresso.


Políticos importantes como Nabuco de Araújo, Saraiva, Zacarias de Góes e Vasconcelos e o marquês de Paranaguá desligam-se do partido ao qual faziam parte, juntando-se com os liberais, formando assim a Liga dos Progressistas.


O espírito progressista não tardou a incluir em suas propostas políticas a questão da emancipação dos escravizados. Os movimentos em prol do progresso no país não poderiam compactuar com o atraso da escravidão. No entanto, não era desta forma que alguns liberais e a maior parte dos conservadores pensavam. Escravizar era preciso.


Em 1865 o Imperador solicita um projeto de lei que visasse a emancipação dos escravos. O Senador Pimenta Bueno apresenta ao parlamento um projeto de lei que liberta filhos de mães escravas. O imperador receoso de levar o projeto a frente, não o apóia, pois na mesma época a Guerra do Paraguai (ANO-ANO) “atraía as atenções e ninguém parecia disposto a assumir o risco debater o tema da emancipação dos escravos” (COSTA, p.42, 1997).


A pressão internacional intensificava cada vez mais, devido a Guerra de Secessão dos EUA, que extingue a escravidão no sul do país (1865). Neste momento, somente “Brasil e as colônias espanholas (Porto Rico e Cuba) eram as únicas nações a ainda manter uma instituição universalmente condenada” (COSTA, p.43, 2008).


Em 1867, Zacarias de Góes, apresenta ao Imperador uma proposta de lei que visa a abolição completa dos escravos para o último dia do século. A proposta não foi aceita pelo partido conservador, que ainda resistia em acabar com a escravidão, podendo fazer com que acabasse também a fonte de suas riquezas.



Em 1869, vários projetos de emancipação dos escravos chegam a Câmara para encontrar apoio: “abolição dos castigos físicos, emancipação dos filhos de mãe escrava, concessão aos escravos do direito de comprar sua alforria, emancipação dos escravos pertencentes ao governo, proibição do trabalho escravo nas cidades” (COSTA, p. 46, 2008). Todos esses projetos e tantos outros que foram apresentados foram poucos discutidos. Em agosto do mesmo ano, um projeto do senado foi aprovado,


proibindo a separação de casais e de pais e filhos menores de quinze anos. Proibiu-se, também os leilões públicos de escravos, salvo algumas exceções, e estabeleceu-se o direito de o escravo comprar sua alforria em caso de morte do seu senhor, mas apenas quando não houvesse oposição por parte de eventuais herdeiros ou credores (COSTA, p. 47, 2008).



A Guerra do Paraguai terminou e os debates que haviam sido tardos em prol da guerra, foram retomados. Um novo Mistério Conservador é formado. Em 7 de março de 1871, impulsionado pelo visconde do Rio Branco, o projeto de lei de emancipação dos filhos de mães escravas é encaminhado na Câmara e as discussões mais uma vez são intensificadas.
Segundo Rio Branco, seu projeto dava a oportunidade de a escravidão desaparecer gradativamente, para que os senhores tivessem tempo o suficiente para fazer a transição da mão-de-obra escrava para livre, já que o receio de fazê-la ainda era intenso na época. Afinal, o senhor não podia “entregar de bandeja” os que eram essenciais para a produção e manutenção do seu poder aquisitivo.



“Congresso Internacional”
“-Queria me perdoar-me, mas... com aquelle negrinho não pode entrar.
-Mas é que não posso separar-me delle: é quem me veste, quem nme dá de comer, quem... me serve em tudo afinal!
É que... Enfim, em attenção às ilustres qualidades pessoaes de tão sábio soberano, creio que as nações civilisadas não duvidarão em admití-lo” (COSTA apud Revista Ilustrada, ano 8, n347, 30 de junho de 1883, p.8).


O primeiro artigo da lei fazia a seguinte afirmação: “os filhos de mulher escrava que nascerem no império desde a data desta lei serão considerados de condição livre” (COSTA, p. 54, 2008). As crianças nascidas, permaneceriam sob a tutela do senhor até completarem 8 anos de idade. Após completar, esta poderia ser entregue ao Estado sob uma indenização de 600$000 ou então e permanecer com a criança até os 21 anos de idade, prestando serviços ao seu senhor. Ao completar essa idade, a criança, ou melhor, o jovem estaria finalmente liberto.

Esta lei também previa um Fundo de Emancipação em prol dos escravos.
Os recursos para a constituição desse fundo seriam arrecadados mediante a uma taxa sobre os escravos, impostos gerais sobre a transmissão de propriedade escrava, loterias, multas impostas em virtude da lei, cotas eventualmente criadas no orçamento geral, provincial municipal, legados e doações (COSTA, p. 55, 2008).

Ficou a cargo da Igreja o controle das certidões de nascimento. Não é preciso colocar que com certeza muitas certidões foram fraudadas por influência dos senhores, que como já tinha colocado não era a favor da emancipação.

Em 28 de setembro de 1871, o projeto de lei foi aprovado, ficando conhecido na história como a Lei do Ventre Livre.



No entanto, não tardou muito para os abolicionistas percebessem as fraudes que aconteceram após a promulgação da lei. Fizeram denúncias quanto às burlas da lei percebendo que a mesma não seria suficiente para extinguir a escravidão. Os escravistas achavam que extinção do trabalho escravo já era um fato consumado. “A emancipação dos escravos seria conseqüência imediata da lei, mesmo que para isso os escravos tivessem que esperar por mais meio século.” (COSTA, p. 59, 2008).



Referencia Bibliografica
COSTA, Emília Viotti da. A abolição. 8ºed. ver. e ampl.. – São Paulo: Editora UNESP, 2008.

Abolição do Tráfico e suas conseqüências

Gláucia L. Drumond Bispo
Componente do Grupo História e Memória (noite)


A intensificação econômica com as mudanças de paradigma político- econômico ocorridas na Europa, sobretudo na França e Inglaterra, repercutiram no Brasil também.
Para além da Revolução Francesa, que permitiu a emancipação política da classe burguesa, as pressões da Revolução Industrial que ocorre na Inglaterra também no século XVIII, garantindo a emancipação econômica da classe emergente, começa a influenciar as idéias de alguns homens na colônia. Com a extinção da escravidão já acontecendo em outros países, o Brasil passa a ser questionado e pressionado por esses acontecimentos, sobretudo pelos interesses políticos e econômicos da Inglaterra, que condenava o trabalho escravo.

Dado as relações políticas entre Brasil e a Inglaterra, uma vez que esta escoltou a vinda dos portugueses para a colônia, a Grã-Bretanha possuía uma série de vantagens econômicas em relação aos outros países, quanto à entrada dos seus produtos no Brasil.


Para a Inglaterra, a escravidão passa a não ser vantajosa nos países com a qual se relacionava. Pois o aumento da produtividade de mercadorias, o país necessitava de pessoas com poder aquisitivo para consumir o que se produzia. Assim, começaram as pressões sobre o Brasil para que fosse abolido o tráfico de escravos no país, para que desta forma fossem criados mais trabalhadores livres para que pudessem consumir as mercadorias européias, principalmente as inglesas. A colônia, por sua vez, resistiu em acabar com o trabalho escravo, sendo este o maquinário que impulsionava a economia do país.

Em 1831 é sancionada a Lei que proíbe o tráfico de escravos para o Brasil. Navios fiscalizadores são estrategicamente posicionados para esta averiguação em alto mar. No entanto, a resistência em abolir o tráfico foi tão grande por parte dos conservadores, que esta lei ficou conhecida na história como a famosa lei para “inglês ver”, pois sua proposta não saiu dos papéis.

Novas rotas foram feitas, a fim de burlar os navios com a função de fiscalizar e de forma clandestina, escravos foram desembarcados na região do “sul fluminense – Mangaratiba, Paraty, Angra dos Reis e no norte fluminense – Búzios , São Pedro da Aldeia e Cabo Frio para abastecer as fazendas do Vale do Paraíba” (BRASIL; MARQUES; CAMPOS et all, pág. 13, 2008), com a produção e exportação de café.
Quinze anos se passaram e a Inglaterra não conseguiu acabar com o tráfico de escravos e o Brasil não cumpriu sua promessa. A Grã-Bretanha passa a tomar medidas mais enérgicas e aprisiona embarcações com suspeita de tráfico de escravos.
A Inglaterra passa a ameaçar a Colônia: “a ameaça de um bloqueio e as demais pressões diplomáticas acabaram por surtir efeito” (COSTA, p. 28, 2008). A questão do tráfico é reavaliada e é sancionada a nova lei que aboliu de vez o tráfico de escravos, uma vez que as penalidades instituídas eram mais severas. A Lei Eusébio de Queiroz entre em vigor em 1850.

Com a abolição do tráfico, foi notória a diminuição dos escravos. O preço dos escravos vendidos inter e intraprovincial aumentou de forma significativa, fazendo com o que os senhores procurassem a tratar “melhor” seus escravos, inclusive construindo hospitais nas fazendas, não com uma visão humanitária, mas sim econômica. Além dessas medidas de preservação do bem que produzia suas riquezas, os senhores recorrem a mãos-de-obra alternativas: o trabalhador livre nacional e os imigrantes.

De acordo com COSTA (2008), o trabalhador nacional vivia nas periferias dos latifúndios, em pequenas propriedades, dedicando-se à economia de subsistência e só esporadicamente se dispunha a trabalhar nas fazendas. No entanto, o trabalhador recusava-se a trabalhar de forma regular nas fazendas, afinal ele não era escravo. Desta maneira, os senhores recorreram aos imigrantes europeus.

Vários foram os imigrantes que entraram no país, contribuindo “com a sua indústria e sua cultura para o desenvolvimento nacional” (COSTA, 2008, p. 35). No entanto, a relação entre colonos e imigrante foi conflituosa, pois assim como os trabalhadores livres nacionais não eram escravos e não aceitavam fazer o papel do mesmo, não ser quando forçados, os imigrantes, também não.

Financiados pelos senhores, os imigrantes vieram para o Brasil trabalhar nas fazendas. Seu pagamento era o trabalho prestado ao senhor que financiou a viagem dos imigrantes. Suecos e Alemães vieram para a colônia.

Os colonos foram incentivados a construírem suas vidas no Brasil pelos atrativos mostrados pelo agente de viagem. Quando chegaram à colônia perceberam que eles construiriam a vida de outrem, desta forma

queixavam-se de que eram tratados como escravos, forçados a comprar mantimentos no armazém da fazenda onde tudo era mais caro, que não recebiam o que lhes era devido que as contas eram fraudadas e que os fazendeiros lhe s entregavam os cafezais em formação – os quais ainda não produziam ou cuja a produção ainda era pequena – reservando para seus escravos os cafezais mais produtivos (COSTA, 2008, p.36).

Assim que pagavam suas dívidas os colonos abandonavam as fazendas, outros saiam antes mesmo de pagarem o investimento que o senhor fizera. Neste sentido, restava apenas ao tráfico existente no país que a cada dia encarecia mais.


Referencia Bibliográfica
COSTA, Emília Viotti da. A abolição. 8ºed. ver. e ampl.. – São Paulo: Editora UNESP, 2008.

Discursos liberais e conservadores

Gláucia L. Drumond Bispo
Componente do Grupo História e Memória (noite)



A elite política e econômica e a Igreja tinham motivos suficientes para manter a instituição escravista. O país era movido pelo trabalho escravo. Desde os serviços domésticos, comumente feitos pelas mulheres escravas, ao trabalho pesado na roça, conduzido pelos homens. Extremamente úteis aos interessados em lucratividade, todos eram a favor da escravidão. Os poucos (que não eram escravizados) que questionaram a instituição foram expulsos da colônia. Os únicos que questionavam a escravidão foram os que viveram a crueldade a mesma: os próprios escravos. Mesmo assim, algumas pessoas afirmam que o negro foi passivo frente à escravidão.
É importante destacar que os negros não aceitaram a escravidão sem fazer algo para combatê-la. As fugas eram constantes. A formação de Quilombos foi extremamente importante no enfrentamento à escravidão. E ainda não pode se esquecer as diferentes maneiras “sutis” de resistência à cultura branca, tais como a invenção do jongo, capoeira, tambor de crioula entre outras criações que colaboraram para combate a escravidão e também para a formação cultural do país.
O processo abolicionista ocorre durante o século XIX, impulsionado pelos ideais da Revolução Francesa que aos poucos chegam ao Brasil, fazendo uma parcela da população colocar em dúvida os argumentos que sustentavam a escravidão. Um dos argumentos contestados foi o pensamento inculcado pela Igreja de que uns nascem para serem escravos, outros para serem proprietários, uns nascem para serem ricos, outros para pobres. Depende da vontade de Deus. No entanto, os ideais revolucionários institucionalizam os direitos naturais do homem, dentre eles encontra-se a liberdade: liberdade religiosa, econômica, intelectual e política.

A liberdade enquanto princípio estabelece que todos os homens ao nascerem são livres para ascender socialmente, desde que se esforcem para tal. O esforço determinará a posição social do indivíduo. Desta forma, os abolicionistas concluem que a escravidão não foi algo determinado por Deus, e sim uma construção social, que poderia ser desfeita, assim como foi produzida. Chegando a essas conclusões, vários projetos de leis foram feitos a favor da emancipação, defendidos por liberais e abolicionistas, contra a vontade dos conservadores, que lutavam pela manutenção do poder e pelo trabalho escravo, já que este produzia suas riquezas.

Assim, temos o seguinte quadro: liberais abolicionistas, que condenavam a escravidão tanto do ponto de vista moral, quanto do ponto de vista econômico. E os conservadores, que lutavam pela manutenção do poder, alegando que o trabalho escravo era extremamente necessário para a produção do trabalho, na época.


Referencia Bibliográfica:

COSTA, Emília Viotti da. A abolição. 8ºed. ver. e ampl.. – São Paulo: Editora UNESP, 2008.

Premissas da Abolição da Escravatura no Brasil


Gláucia L. Drumond Bispo
Componente do Grupo de História e Memória (noite)
Disciplina Relações Etnicorraciais na Escola - Curso de Pedagogia/Niterói/UFF
Prof. Paulo Carrano
2011/2 

Essas notas sobre a Abolição no Brasil estão baseadas no livro A Abolição, de Emília Viotti da Costa (professora da USP), que percorre as fases deste acontecimento, buscando explicar toda a conjuntura histórica que levou a “abolição” dos negros africanos no Brasil E ainda apoiado em outras literaturas, que complementam a leitura do livro citado. Com isso, nosso objetivo é mostrar os desdobramentos e implicações em relação ao preconceito contra os negros no país, a partir de todo esse levantamento histórico, que diz respeito à Abolição. 

Neste sentido, para dar início ao levantamento dos acontecimentos que permitiram a condução de movimentos abolicionistas no Brasil, este trabalho está dividido em seis partes: O significado da escravidão; Discursos; Abolição do Tráfico; Lei do Ventre Livre, Lei dos Sexagenários e por fim, a Abolição.

O significado da escravidão

A escravidão no Brasil tem início com a invasão dos Portugueses no país, no final do século XV. Tornaram escravos, os índios que aqui habitavam, já que necessitavam de mão-de-obra para explorar as valiosas terras que pertenciam (e pertencem) aos povos indígenas.
Para além de serem forçados a trabalhar para outrem, foram simplesmente abafados e tomados como selvagens, inferiores intelectual e culturalmente pelos considerados por si mesmos, superiores portugueses. Não foi muito diferente com a chegada dos africanos nas terras brasileiras. Com a proteção da Igreja em relação aos povos indígenas e a possibilidade do aumento da lucratividade, a mão-de-obra indígena é substituída por outra, considerada mais apropriada para o trabalho na colônia brasileira. De vários pontos da África, sobretudo das regiões África-ocidental; Centro Ocidental (Congo - Angola) e da Costa Oriental da África (Ilha de Moçambique e Quilimane), indivíduos separados de sua terra e família, atravessaram o Atlântico obrigados pelos colonizadores portugueses, negros africanos para trabalharem no Brasil.



Mercado de Escravos. RUGENDAS (1802-1858)

Ser escravo é “todo indivíduo submetido ao domínio de outra pessoa e considerado sua propriedade” (BRASIL et all, p. 15, 2008). Desta forma, tudo que diz respeito à propriedade, tem de estar sobre o controle de quem se apropria da mesma, portanto “o controle sobre o tempo de trabalho e da produção, o impedimento da livre mobilidade, a vigilância sobre o lazer e a interferência nas relações familiares – sem contar os violentos castigos que poderiam ser aplicados ou sugeridos para manutenção da ordem pretendida pelo senhor” (BRASIL et all, p. 15, 2008).
A justificativa para a escravidão no país comandada pela elite política e econômica, e ainda legitimada pela Igreja está relacionada ao pensamento cristão, cujo argumento era baseado na salvação dos sujeitos não cristãos, isto é, pagãos ou gentios, na época. Essa argumentação livrava a consciência dos comandantes da escravidão, alegando que estariam fazendo um bem para a população negra, já que a retirou da barbárie, dando a oportunidade de viver em um país civilizado. Além desses argumentos, alegavam ainda que os africanos trazidos para o Brasil, eram aprisionados “por meio da guerra justa[1], e o comércio dos que já haviam sido feitos cativos por povos rivais” (BRASIL et all, p. 17, 2008), na África.
A preferência dos negros para o trabalho escravo, em detrimento dos povos indígenas se dá por varias razões dentre elas é o aumento da lucratividade com o tráfico de escravos oriundos da África e o comércio dos mesmos aqui no Brasil.
Este era o quadro social dos negros africanos e seus descendentes nascidos no Brasil, nos tempo do cativeiro; isto é, na era colonial que durara trezentos anos. No entanto, no decorrer do século XIX várias transformações de ordem política e econômica ocorreram no país mobilizando e favorecendo para a “abolição” dos negros escravizados.

Referencia Bibliográfica
BRASIL, Eric; MARQUES, Camila; CAMPOS Thiago at all. Pelos Caminhos do Jongo e do Caxambu: História, Memória e Patrimônio. – Niterói: UFF: NEAMI, 2008. 
COSTA, Emília Viotti da. A abolição. 8ºed. ver. e ampl.. – São Paulo: Editora UNESP, 2008. 
RUGENDAS, João Maurício. Viagem pitoresca através do Brasil. – São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 1979.

O Movimento Negro no Brasil: uma luta pela equiparação de direitos

Vanessa Coutinho


Integrante do Grupo História e Memória (noite)




O Movimento Negro no Brasil tem origem nas lutas de resistência à escravidão, os negros e seus descendentes, em busca pela liberdade enfrentaram muitas dificuldades, como por exemplo: os discursos racistas que justificavam a escravidão, o apoio da igreja com a defesa da idéia que o negro não tinha alma, o ideal de cidadão brasileiro difundido na sociedade brasileira, representado pelo homem branco com descendência européia e a exploração extrema do trabalho dos homens negros, privados do direito de transitarem além dos arredores das senzalas, eles viviam em condições subumanas, sendo assim, revoltados com o tratamento destinado ao povo de origem africana os escravos começaram a se organizar para reverter à situação de submissão que lhes eram impostas.






A partir da organização precária, os escravos aspiravam à liberdade que lhes foram roubadas no seu continente de origem, e inconformados com os maus tratos sofridos, começaram a se unir em grupos para fugir. Livres de seus senhores, lutarampara que os seus semelhantes não sofressem da mesma forma.





Os quilombos foram criados pelos negros que se libertavam dos seus senhores. Os quilombos serviam de abrigo e eram considerados símbolos de resistência religiosa, cultural e armada dos povos de origem africana. Neste período da história, o movimento negro se caracterizou pela luta corporal, pois ainda nem se pensava que seria possível ter espaços para dialogar sobre a libertação dos escravizados neste período.





Com a necessidade de novos mercados consumidores, a instituição escravocrata na economia capitalista foi considerada um obstáculo para o avanço dos países pioneiros nas atividades comerciais e industriais. Visto que, se os homens fossem escravizados, eles não receberiam pela sua força de trabalho. Sem dinheiro as pessoas não consomem, se não consomem não são consideradas economicamente ativas, sendo assim, não contribuem para expansão da economia de mercado que surge. Então podemos entender a abolição tardia dos escravos no Brasil com um jogo de interesses dos países colonizadores, mas especificamente a Inglaterra que precisava de novos mercados consumidores para expandir os seus domínios.





Para atender as demandas comerciais e aos interesses políticos do governo local, o Brasil liberta os seus escravos, e os abandona a própria sorte. Com isso, há a troca da mão-de-obra escrava pelo trabalho assalariado, como também foram criadas políticas que estimularam a vinda de europeus para o país, sobretudo os italianos para trabalharem nas fazendas cafeeiras brasileiras. Nesse sentido, as políticas de embranquecimento no país, acentuam ainda mais as desigualdades entre brancos e negros no Brasil.






A educação era um bem que era destinado prioritariamente aos brancos, mas o Movimento Negro se organizou ainda mais para reivindicar a igualdade de direitos entre negros e brancos. Lutaram para que tivessem as mesmas condições de competir por seus objetivos profissionais, pessoais, políticos etc. Mesmo que fossem atendidas tais reivindicações pela escolarização do povo negro, ainda sim, as oportunidades e recursos destinados eram bem desiguais. Podemos observar essa diferença no seguintes fragmentos de texto:







“Nos discursos das elites intelectuais e políticas preconizavam a necessidade da população negra ser escolarizada. Uma educação para o trabalho e para serem bons cidadãos já que estavam inseridos na grande massa da população pobre e ainda traziam o estigma da escravidão que lhes impunham a marca da inferioridade. Apesar disso, a presença dos negros na escola era motivo de incômodo para o restante da população e era dificultada pelos mecanismos mais diversos, desde as matrículas até as relações estabelecidas no cotidiano escolar” (GOMES, 2009).













“Os brancos utilizavam a escola como espaço de formação e legitimação da sua condição de elite, enquanto os negros a utilizavam como forma de afirmação e promoção sócio-racial, sendo que para isso não era necessário (ou mesmo possível) ultrapassar o nível elementar” (GOMES apud FONSECA).












O Movimento Negro utiliza o diálogo para as suas reivindicações, estimulando reflexões e debates sobre a educação das relações etnicorraciais, e a Lei nº 10.639/2003, estabelece a obrigatoriedade do ensino de História e Cultura Afro-Brasileira e Africana na educação básica, que pode ser considerada uma conquista do movimento. Traz para a população negra, um avanço no que podemos considerar nas políticas de reparação, presentes na Constituição de 1988 e na LDB Lei nº 9.394/96, que assegura o direito à igualdade de condições de vida e de cidadania, assim como garantem a igual direitos a história e culturas que compõem a nação brasileira, além do direito de acesso ás diferentes fontes da cultura nacional a todos os brasileiros.







Com isso podemos entender o Movimento Negro como um movimento que busca o reconhecimento que o negro e seus descendentes foram fundamentais para a construção das bases econômicas do Brasil, ao mesmo tempo em que lutam pela valorização da cultura Afro-Brasileira e o seu maior desafio é o combate ao racismo e as demais formas de discriminação destinada aos negros e seus descendentes.






O ideal seria que as pessoas, se respeitassem pelos que eles realmente são seres humanos e não pela cor da pele que possuem, pois isso é apenas um mero detalhe. Igualdade de direitos seria um indivíduo se reconhecer no outro e respeitá-lo como gostaria de ser tratado, ou seja, que se estabelecesse uma relação de respeito mútuo entre as pessoas.













Referência Bibliográfica




GOMES, Nilma Lino. Limites e possibilidades da implementação da lei 10.639/2003 no contexto das políticas publicas em educação. In: PAULA, Marilene. Caminhos Convergentes. – Rio de Janeiro: Editora act!onaid, 2009.






BRASIL. Lei nº 10.639 de 09 de janeiro de 2003. Altera a Lei no 9.394, de 20 de dezembro de 1996, que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional, para incluir no currículo oficial da Rede de Ensino a obrigatoriedade da temática "História e Cultura Afro-Brasileira", e dá outras providências. Disponível em:





<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2003/l10.639.htm> Acesso em 11 de out de 2011.






BRASIL. Resolução de nº1, de 17 de junho de 2004. Institui Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação das Relações Étnico-Raciais e para o Ensino de História e Cultura Afro-Brasileira e Africana. Disponível em: http://portal.mec.gov.br/cne/arquivos/pdf/res012004.pdf&gt; Acesso em 10 de out. de 2011.



Arte e Cultura


Esse videio é o resultado da junção da Disciplina Relações Étnicas Raciais com Pesquisa e Prática Pedagógica VII, na Escola Municipal Mestra Fininha!
foi um prazer realizar esse projeto com essas crianças maravilhosas e ao mesmo tempo conseguimos promover e inserir dentro do cotidiano escolar a questão cultural afro-brasileira e africana. Trabalhamos com música, artes plásticas, folclore e culinária.

sábado, 5 de novembro de 2011

Prosa e Verso

Hoje no jornal O Globo, em seu caderno Prosa e Verso. Foi publicada uma matéria muito interessante sobre a Tradição Negra na literatura e a influência afro-brasileira na literatura brasileira.
Tal matéria faz parte de um estudo de um grupo de pesquisa da UFMG chamado " Afrodescendência na Literatura Brasileira", achei o nome do grupo bem criativo e me aguçou a curiosidade sobre o trabalho do mesmo.
Além desta matéria o jornal,dentro do mesmo caderno , traz uma parte "especial" sobre a militância política de Cruz e Souza.
Acho que podemos debater tal texto em sala! Pois está atual além de se referir ao cotidiano!
Fiquei muito contei ao ver esse movimento do jornal e essa grande importância de divulgarmos as nossas verdadeiras raízes assim desmitificando algumas histórias além de dar o valor e o respeito necessário a tais contribuidores da formação de nossa cultura!

Consciência negra é tema de exposição no Teatro SESI Jacarepaguá

Mostra gratuita irá de 03 a 30 novembro expondo os valores e a estética da cultura afro-brasileira .

Rio - No mês da consciência negra o Teatro SESI Jacarepaguá presta homenagem à cultura afro-brasileira. De 03 a 30 de novembro, o artista plástico Alcir Dias, nascido no bairro de Jacarepaguá, apresenta a exposição “Pintura afro-brasileira” mostrando toda a paixão em suas obras que retratam os costumes da cultura negra. A mostra poderá ser visitada sempre nos dias e horários das atrações do teatro e terá entrada franca. A classificação é livre.


Apesar da grande parcela da população brasileira ser integrada por negros e mestiços, o estereótipo e a marginalização sempre fizeram parte do seu cotidiano no quesito arte e cultura. O artista plástico Alcir Dias tenta minimizar o problema procurando revelar que a cultura brasileira possui uma diversidade rica e negra, e que é pouco vista nos circuitos artísticos contemporâneos.

Detentor de um olhar acurado e harmonioso, suas obras retratam a imagem do homem e da mulher negros, deuses e deusas da mitologia africana, retratos de crianças e mulheres, onde uma figura ilumina a outra, e os mitos negros se juntam aos seus descendentes na luta contra os preconceitos e a segregação étnica e social.

Alcir Dias é artista plástico e concluiu o curso de professorado de desenho na Escola de Belas Artes da UFRJ, em 1970. Em 1985, teve a orientação do também artista plástico Hilário Silva Neto, durante um ano com suas experiências com óleo sobre tela. Só a partir de 2002 iniciou sua produção como artista plástico de óleo sobre tela.

.[Exposição pinturas afro-brasileiras (gratuita) , do dia 03, até 30 de novembro, sempre nos dias e horários das atrações do teatro, no Teatro SESI Jacarepaguá - AV. Geremário Dantas,940 – Freguesia, Rio de Janeiro.

Fonte: Portal Fator Brasil

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Que bom que ainda existem pessoas boas no Brasil.

http://g1.globo.com/parana/noticia/2011/11/fui-bem-recebida-diz-aluna-do-pr-que-contou-ser-agredida-por-ser-negra.html

APARTHEID E NELSON MANDELA




= PEQUENA CRONOLOGIA POLÍTICA DA ÁFRICA DO SUL =


1948 – O governo da África do Sul deu início à política do apartheid;

1952 – Nelson Mandela abre a primeira firma negra sul-africana;

1956 – Nelson Mandela é acusado de alta traição e absolvido;

1959 – O parlamento aprova leis que aumentam a segregação racial;

1960 – Durante um protesto negro contra o apartheid a polícia mata 69 pessoas;

1962 – Nelson Mandela é preso e sentenciado à prisão perpétua;

1972 – A África do Sul é impedida de participar dos Jogos Olímpicos em função da política do apartheid;

1974 – O país é expulso das Nações Unidas em função da política do apartheid;

1976 – Mais de 600 estudantes são mortos em Soweto e Sharpeville;

1990 – Nelson Mandela é solto da prisão;

1991 – Nelson Mandela torna-se presidente do Congresso Nacional sul-africano;

1991 – O Comitê Olímpico Internacional permite a participação da África do Sul nos Jogos Olímpicos depois de um banimento de 21 anos;

1994 – Nelson Mandela torna-se presidente da África do Sul;

A palavra apartheid significa separação, em africâner, uma variação sul africana do holandês. O objetivo dessa política era separar profundamente as raças que habitavam a África do Sul nos aspectos político, social, econômico e até mesmo geográfico. As leis raciais procuravam controlar todos os aspectos da vida das pessoas negando aos negros direitos políticos básicos e proibindo, por exemplo, o casamento entre brancos e não-brancos (negros, mestiços e asiáticos), determinando empregos, escolas, banheiros e até mesmo escadas só para brancos. No regime do apartheid o governo era controlado pelos brancos de origem européia (holandeses e ingleses), que criavam leis e governavam apenas para os interesses dos brancos. Aos negros eram impostas várias leis, regras e sistemas de controles sociais. Os brancos controlavam o poder, enquanto o restante da população não gozava de vários direitos políticos, econômicos e sociais.

Em 1950, o governo sul-africano implantou o Population Registration Act, através do qual a população deveria ser racialmente classificada em quatro categorias: branco, negro, mestiço e asiático (em sua maioria, imigrantes indianos e paquistaneses que viviam na região). Essa classificação baseava-se na aparência, aceitação social e na descendência. Por exemplo, uma pessoa que possuísse parentes “não-brancos” não poderia ser considerada branca, apesar de sua aparência.

A despeito da violenta repressão policial a toda manifestação contra a política implantada, na década de 1960 eclodiram diversos protestos por todo o país. Dentre estes protestos, podemos destacar um nas regiões de Soweto e Sharpeville, quando 10.000 negros queimaram seus passes nas ruas sendo combatidos pelo exército. A partir dessa década, as nações européias impuseram embargos e sanções à África do Sul em virtude do apartheid, como o banimento da Comunidade Britânica (1960) e dos Jogos Olímpicos (1972), embargo de armas e material militar (1977) e sanções econômicas impostas pelo Conselho de Segurança da ONU (1985). A atenção das nações ocidentais à situação política e social na África do Sul deveu-se, em grande medida, à atuação de Winnie Mandela, esposa de Nelson Mandela, e do bispo Desmond Tutu, que granjearam apoio em meio às esferas internacionais.

Apesar do fim do apartheid e da ascensão à presidência de Nelson Mandela, em 1994, a política de segregação deixou marcas profundas na África do Sul. Embora profundas mudanças sociopolíticas tenham sido promovidas nos últimos anos, as heranças da descriminação racial institucionalizada ainda podem ser sentidas, particularmente no que se refere ao baixo nível de escolaridade entre os negros e os diversos conflitos sociais ainda em curso.

Entre as principais leis do apartheid, podemos citar:

- Proibição de casamentos entre brancos e negros – 1949;

- Obrigação de declaração de registro de cor para todos sul-afriacanos (branco, negro ou mestiço) – 1950;

- Proibição de circulação de negros em determinadas áreas das cidades – 1950;

- Determinação e criação dos bantustões (bairros só para negros) – 1951;

- Proibição de negros no uso de determinadas instalações públicas (bebedouros, banheiros públicos) – 1953;

- Criação de um sistema diferenciado de educação para as crianças dos bantustões – 1953;



Nelson Mandela: líder sul-africano que lutou contra o apartheid

Ainda estudante de Direito, Mandela começou sua luta contra o regime do apartheid. No ano de 1942, entrou efetivamente para a oposição, ingressando no Congresso Nacional Africano (movimento contra o apartheid). Em 1944, participou da fundação, junto com Oliver Tambo e Walter Sisulu, da Liga Jovem do CNA.

Durante toda a década de 1950, Nelson Mandela foi um dos principais membros do movimento anti-apartheid. Participou da divulgação da “Carta da Liberdade”, em 1955, documento pelo qual defendiam um programa para o fim do regime segregacionista.

Mandela sempre defendeu a luta pacífica contra o apartheid. Porém, sua opinião mudou em 21 de marco de 1960. Neste dia, policiais sul-africanos atiraram contra manifestante negros, matando 69 pessoas. Este dia, conhecido como “O Massacre de Sharpeville”, fez com que Mandela passasse a defender a luta armada contra o sistema.

Em 1961, Mandela tornou-se comandante do braço armado do CNA, conhecido como "Lança da Nação". Passou a buscar ajuda financeira internacional para financiar a luta. Porém, em 1962, foi preso e condenado a cinco anos de prisão, por incentivo a greves e viagem ao exterior sem autorização. Em 1964, Mandela foi julgado novamente e condenado a prisão perpétua por planejar ações armadas.

Mandela permaneceu preso de 1964 a 1990. Neste 26 anos, tornou-se o símbolo da luta anti-apartheid na África do Sul. Mesmo na prisão, conseguiu enviar cartas para organizar e incentivar a luta pelo fim da segregação racial no país. Neste período de prisão, recebeu apoio de vários segmentos sociais e governos do mundo todo.

Com o aumento das pressões internacionais, o então presidente da África do Sul, Frederik de Klerk solicitou, em 11 de fevereiro de 1990, a libertação de Nelson Mandela e a retirada da ilegalidade do CNA (Congresso Nacional Africano). Em 1993, Nelson Mandela e o presidente Frederik de Klerk dividiram o Prêmio Nobel da Paz, pelos esforços em acabar com a segregação racial na África do Sul.

Em 1994, Mandela tornou-se o primeiro presidente negro da África do Sul. Governou o país até 1999, sendo responsável pelo fim do regime segregacionista no país e também pela reconciliação de grupos internos.

Com o fim do mandato de presidente, Mandela afastou-se da política dedicando-se a causas de várias organizações sociais em prol dos direito humanos. Já recebeu diversas homenagens e congratulações internacionais pelo reconhecimento de sua vida de luta pelos direitos sociais.

A questão da discriminação racial na África do Sul é um importante fator social em sua história, tanto no período sob o domínio inglês, sob o domínio holandês ou após a sua independência. Entretanto, em 1948, a discriminação foi institucionalizada com a aprovação das leis do apartheid. Nessa data, o Partido Nacional da África do Sul ganhou as eleições e tornou parte de seu governo uma política de segregação racial chamada de eerbaare apartheid (segregação honorável).


= CURIOSIDADES =


*Algumas frases de Nelson Mandela:

- "Sonho com o dia em que todas as pessoas levantar-se-ão e compreenderão que foram feitos para viverem como irmãos."

- "Uma boa cabeça e um bom coração formam uma formidável combinação."

- "Não há caminho fácil para a Liberdade."

- "A queda da opressão foi sancionada pela humanidade, e é a maior aspiração de cada homem livre."

- "A luta é a minha vida. Continuarei a lutar pela liberdade até o fim de meus dias."

- "A educação é a arma mais forte que você pode usar para mudar o mundo."

- “Sinto-me como um jovem de 50 anos.”

- “Ninguém nasce odiando outra pessoa pela cor de sua pele, por sua origem ou ainda por sua religião. Para odiar, as pessoas precisam aprender e, se podem aprender a odiar, podem ser ensinadas a amar.”

- “Ainda há gente que não sabe, quando se levanta, de onde virá a próxima refeição e há crianças com fome que choram.”

- “Eu faço tudo isso em nome dos princípios morais, segundo os quais nao podemos abandonar aqueles que nos ajudaram nos momentos mais sombrios da historia do nosso país.”


* Dia Internacional de Nelson Mandela

- A partir de 2010, será celebrado em 18 de julho de cada ano o Dia Internacional de Nelson Mandela. A data foi definida pela Assembléia Geral da ONU e corresponde ao dia de seu nascimento.


* Livros (obras principais):

- Nelson Mandela - A Luta da Minha vida (1989) - autobiografia

- Conversas que tive comigo (2010)

- Vencer é Possível (1998)


* Bibliografia indicada:

- Nelson Mandela - uma lição de vida
Autor: Lang, Jack
Editora: Mundo Editorial
Temas: Biografia, Política

- Mandela - Retrato Autorizado
Autor: Kathrada, Ahmed
Editora: Ales Trade Comércio
Temas: Biografia, Fotografia

- Os caminhos de Mandela
Autor: Stengel, Richard
Editora: Globo
Temas: Biografia, Política


Mandela preso por lutar contra o apartheid
Mandela quando estava preso por lutar contra o apartheid na África do Sul


* Dois primeiros artigos da Declaração dos Direitos Humanos, a saber:

Artigo I - Todos os homens nascem livres e iguais em dignidade e direitos. São dotados de razão e consciência e devem agir em relação uns aos outros com espírito de fraternidade.

Artigo II - Todo homem tem capacidade para gozar os direitos e as liberdades estabelecidos nesta Declaração, sem distinção de qualquer espécie, seja de raça, cor, sexo, língua, religião, opinião política ou de outra natureza, origem nacional ou social, riqueza, nascimento, ou qualquer outra condição.

A Declaração Universal dos Direitos Humanos foi aprovada com unanimidade pela Assembléia Geral das Nações Unidas, em dezembro de 1948. É o mesmo ano em que o Partido Nacional da África do Sul ganhou as eleições (nas quais só aos brancos era permitido votar) e implementou a política do apartheid era praticada na África do Sul.


ORAÇÃO PELA LIBERTAÇÃO DA ÁFRICADO SUL - 1985

Composição: Gilberto Gil

Se o rei Zulu já não pode andar nu

Se o rei Zulu já não pode andar nu

Salve a batina do bispo Tutu

Salve a batina do bispo Tutu

Ó, Deus do céu da África do Sul

Do céu azul da África do Sul

Tornai vermelho todo sangue azul

Tornai vermelho todo sangue azul

Já que vermelho tem sido todo sangue derramado

Todo corpo, todo irmão chicoteado - iô

Senhor da selva africana, irmã da selva americana

Nossa selva brasileira de Tupã

Senhor, irmão de Tupã, fazei

Com que o chicote seja por fim pendurado

Revogai da intolerância a lei

Devolvei o chão a quem no chão foi criado

Ó, Cristo Rei, branco de Oxalufã

Ó, Cristo Rei, branco de Oxalufã

Zelai por nossa negra flor pagã

Zelai por nossa negra flor pagã

Sabei que o papa já pediu perdão

Sabei que o papa já pediu perdão

Varrei do mapa toda escravidão

Varrei do mapa toda escravidão

(http://www.youtube.com/watch?v=-q0FARtROo0&feature=related)


A música “Oração pela libertação da África do Sul” pode ser utilizada para exemplificar os conceitos acima mencionados, como o tratamento que os brancos reservavam aos negros (“Todo corpo, todo irmão chicoteado”) e a importância do arcebispo Desmond Tutu, que recebeu o Prêmio Nobel da Paz (“Salve a batina do bispo Tutu”). Outro personagem importante é o ex-presidente da África do Sul, Nelson Mandela.


* VÍDEOS INTERESSANTES:



http://www.youtube.com/watch?v=-q0FARtROo0&feature=related


= ENTREVISTAS=

(Entrevista 1)

Nome: Clemilda.

Idade: 28 anos.

Residência: Mora em Botafogo, mas não especificou o local.

Trabalho: Trabalha em um quiosque na rua Nelson Mandela há 6 anos.

Quem é Nelson Mandela? Não sei. Sei que na África tem esse nome Nelson Mandela, mas não sei se tem relação.

Porque a rua tem o nome dele? Não sei dizer.


(Entrevista 2)

Nome: Regina.

Idade: 60 anos.

Residência: Rua São Clemente – Botafogo.

Trabalho: Aposentada.

Quem é Nelson Mandela? Pessoa muito importante para os Estados Unidos e para o reconhecimento do negro enquanto cidadão normal. Sei que ficou preso, e que depois que saiu continou a ajudar os negros.

Porque a rua tem o nome dele? É uma forma de homenagem, que é muito boa para nós contarmos para os nossos netos, para que eles possam de alguma forma conhecê-los.


=FOTOS=



R E F E R Ê N C I A S B I B L I O G R Á F I C A S:

- ANDERSON, Perry. Portugal e o fi m do ultracolonialismo. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1966.

- BRUNSCHHWIG, Henri. A partilha da África negra. São Paulo. Perspectiva, 1974.

- CÔRTES, Norma et alii. História. Reorientação curricular (versão preliminar). Secretaria de Estado de Educação do Estado do Rio de Janeiro. 2004.

- DECLARAÇÃO Universal dos Direitos Humanos. http://www.onu-brasil.org.br. Acesso em 30 de novembro de 2005.

- HOBSBAWM, Eric. A era dos impérios - 1875-1914. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2002.

- MAGNOLI, Demetrio. África do Sul - capitalismo e apartheid. São Paulo: Contexto, 1992.

- MESGRAVIS, Laima. A colonização da África e da Ásia: a expansão do imperialismo europeu no século XIX. São Paulo: Atual, 1994.

- PEREIRA, Francisco José. Apartheid. O horror branco na África do Sul. São Paulo: Brasiliense, 1985.

- Disponível em http://www.suapesquisa.com/biografias/nelson_mandela.htm Acessado em 22/10/2011;

- Disponível em http://www.brasilescola.com/biografia/nelson-mandela.htm Acessado em 23/10/2011;

- Disponível em www.mundonegro.com.br Acessado em 20/10/2011;

- Disponível em http://www.suapesquisa.com/o_que_e/apartheid.htm Acessado em 21/10/2011;



Grupo (Noite):

Anna Karla R. Freire (108.10.019.0)

Letícia de Bragança Teixeira Pinto (310.100.84)

Micirlene Gabriel Ribeiro da Silva (108.100.46)

Monique Oligario de Almeida (105.10.118)

Pedro H.F. Oliveira (309.100.98)

2011.2